A Polícia Civil cumpriu, na manhã desta terça-feira (12), 15 mandados de busca e apreensão contra o Grupo Windsor, que tem oito lojas de roupas em Belo Horizonte e na Região Metropolitana. A investigação apura os crimes de sonegação de impostos e lavagem de dinheiro, crimes que podem ter gerado um prejuízo de pelo menos R$ 20 milhões aos cofres públicos. Até o momento, ninguém foi preso.

Os agentes da PC liderados pelos delegados Claudia Marra, da 1ª Delegacia de Fraudes, e Domiciano Monteiro, chefe da Divisão de Fraudes, recolheram documentos tanto em lojas, inclusive dentro de shoppings, quanto nas casas dos investigados. "O grupo é uma empresa familiar e os suspeitos são os próprios controladores da organização, que são, pelo menos, seis pessoas", detalhou Monteiro. 

Segundo as investigações, que começaram em dezembro de 2016, o grupo usava uma incorporadora onde eram inseridas várias empresas na tentativa de enganar o fisco e credores. As lojas realizavam vendas desacobertadas (sem nota fiscal) e deixavam de repassar o Imposto Sobre Circulação de Mercadorias e Serviços (ICMS), o que configura sonegação fiscal. 

Os delegados ainda apuraram o uso de uma terceira empresa fora do grupo para a qual eram destinados os créditos das vendas realizadas nas lojas, uma vez que a incorporadora e as incorporadas estavam todas negativadas e com débitos junto ao fisco e aos credores. "Todos os investigados, tanto as empresas quanto as pessoas, já tinham bens bloqueados por causa das irregularidades nas empresas do grupo, por isso eram usados laranjas para criar novas organizações e continuar ludibriando a quem o grupo devia", explicou Monteiro. 

Ainda de acordo com o chefe da Divisão de Fraudes, após constatar a falta de condições financeiras de um dos sócios listados em uma das empresas, a pessoa que teve o nome utilizado como laranja no esquema confirmou à Polícia Civil que nunca havia juntado o capital social para montar a empresa em questão.

Próximos passos

A delegada Claudia Marra afirmou que ainda não há previsão para a conclusão das investigações a serem feitas nos materiais recolhidos. No cartório da Divisão de Fraudes, se amontoam computadores, máquinas de cartão e documentos que, agora passarão pela análise da perícia e ditarão os próximos passos da investigação. 

Documentos

Esta foi a primeira diligência que envolveu mandados de busca e apreensão no inquérito que investiga o grupo

Além dos crimes de sonegação fiscal e lavagem de dinheiro, o delegado afirmou que há a possibilidade de serem encontrados indícios de outros tipos de fraudes. A pena para sonegação fiscal pode chegar a 2 anos, já a de lavagem de dinheiro pode render 10 anos de reclusão aos acusados.

Procurada, a diretoria da empresa ainda não se manifestou sobre as investigações.