A iminência da chegada da lama de rejeitos vinda do rompimento da barragem em Brumadinho levou à paralisação das operações na usina de Retiro Baixo, localizada entre os municípios de Pompeu e Curvelo, ambos na região Central de Minas Gerais. A medida já era esperada como estratégia para tentar conter a lama de rejeitos antes que chegue ao rio São Francisco.

A usina é controlada pela Furnas, da Eletrobrás, que anunciou a paralisação nessa terça-feira (29). Segundo a assessoria da empresa, as tomadas d'água, por onde é captada a água do rio Paraopeba, foram fechadas para evitar que o material de rejeito chegue aos equipamentos que realizam a transformação da água em energia elétrica.

Apesar da paralisação, a empresa garantiu que a população não será prejudicada pela falta de produção de energia em Retiro Baixo, uma vez que o sistema atual de usinas funciona de forma unificada. Segundo a assessoria, a energia elétrica produzida em Retiro Baixo vai toda para o Sistema Interligado Nacional (SIN), que controla a produção e a distribuição para toda a região que ele atende de acordo com a demanda. A falta de produção em Retiro Baixo é compensada pelo aumento nas demais hidrelétricas.

Contenção

Está prevista para esta quarta-feira (30) a conclusão da instalação de uma membrana para proteger o rio Paraopeba na cidade de Pará de Minas, região Central do Estado. A Vale, responsável pelos trabalhos, afirmou que a ação está sendo executada para proteger o ponto de captação de água da cidade e que a expectativa é que a medida contribua para manter a regularidade do abastecimento.

A reportagem procurou a empresa para esclarecer se os rejeitos podem chegar a Retiro Baixo a ponto de danificar equipamentos e se o sistema de contenção de Pará de Minas pode conter totalmente o avanço da lama, mas ainda não obteve retorno.

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