Para a frustração dos lojistas de Belo Horizonte, a reabertura do comércio na capital mineira não vai acontecer, pelo menos nos próximos dias. Segundo a assessoria de comunicação da PBH, mesmo com a pressão de comerciantes em reunião com o prefeito Alexandre Kalil (PSD) nesta quinta-feira (2), não haverá mudança no cenário por enquanto, permanecendo o endurecimentos das medidas de distanciamento social e funcionamento apenas de segmentos considerados essenciais.

Citando o avanço do novo coronavírus em Minas, especialmente na capital mineira - que nesta quinta-feira chegou a 7.144 casos da doença, com 158 mortes - Kalil afirmou que o momento ainda não é de flexibilização, adotando um tom conciliatório com os lojistas.

"Hoje os números, que estão subindo exponencialmente em todo o Estado, são resultados da flexibilização. Ele [aumento dos casos] tem um prazo para acabar, esse aumento exponencial vai ter um prazo para acabar. Então, eu quero dizer o seguinte: nunca estivemos em lados opostos", afirmou o chefe do executivo.

Além de destacar a gravidade do quadro na cidade, Kalil mostrou otimismo em uma mudança no cenário e indicou um prazo para que a prefeitura possa analisar os efeitos do fechamento do comércio, decretado na última sexta-feira (26).

"Os protocolos estão prontos, nós vamos sentir o resultado do fechamento, provavelmente, na terça-feira que vem (7). Vamos abrir o comércio, mas não durante essa crise. Na hora que esses números abaixarem, e vão abaixar, nós vamos abrir de novo", completa.

Com a reunião desta quinta e antecipação do quadro da pandemia na cidade, a coletiva de imprensa que vem acontecendo todas as sextas-feiras desde o início da pandemia com o prefeito e equipe, não vai ocorrer nesta semana.

Proposta dos lojistas

Para tentar amenizar os efeitos do endurecimento das medidas de isolamento social aplicadas pela PBH, o Sindicato dos Lojistas de Belo Horizonte (Sindilojas) entregou uma proposta à prefeitura, com o intuito de reabrir, ao menos parcialmente, o comércio em BH.

"O Sindilojas fez uma proposta para abertura total do comércio, com três dias fechados e quatro dias abertos. Com exceção daqueles que são essenciais para abertura, todo o comércio de Belo Horizonte: shopping centers, centros comerciais, hiper centros e [comércios nos] bairros nós abriríamos de terça a sexta-feira, com sábado, domingo e segunda-feira fechados. Essa é a proposta entregue pelo sindicato aos integrantes do comitê da prefeitura, principalmente ao prefeito. Ela vai ser analisada e teremos uma resposta nos próximos dias", revelou Nadim Donato, presidente do Sindilojas.

CDL/BH critica a prefeitura

A tentativa de Kalil de buscar a compreensão por parte dos lojjistas não surtiu muito efeito junto a Câmara de Dirigentes Lojistas de Belo Horizonte (CDL/BH).

Presidente da CDL/BH, Marcelo de Souza e Silva, criticou a condução de Prefeitura de Belo Horizonte no combate ao coronavírus, afirmando que o fechamento do comércio na capital poderia ter sido evitado.

"Estávamos na expectativa de que o secretário (de saúde) Jackson iria apresentar o cronograma de aumento dos leitos de UTI e de enfermaria, que são necessários para o atendimento das pessoas, e para baixar os indicies que são considerados para a abertura do comércio. Nós achamos que, se já tivessem colocado esses leitos, como foi conversado lá em março , a gente não teria fechado o comércio, inclusive, abeto as outras categorias".

Durante o encontro com os lojistas, Kalil afirmou que a taxa de ocupação dos leitos de terapia intensiva na rede privada está em 95% (na rede pública a taxa está em 87%), e que a PBH colocou em funcionamento mais 65 leitos para a rede pública, nesta quinta-feira.

Marcelo de Souza também revelou que a entidade pediu um maior apoio da prefeitura junto aos comerciantes neste período de crise.

"A retomada do diálogo neste momento é muito importante, desde que a gente consiga conversar e colocar em prática algumas ações. Dentre elas, neste momento, a participação da prefeitura ajudando as empresas a buscar linhas de crédito. A prefeitura tem um poder de negociação junto aos bancos muito maior", completou.

Outro lado

Enquanto os comerciantes pedem a reabertura do comércio em Belo Horizonte, o Apubh- Sindicato dos Professores de Universidades de Belo Horizonte e Montes Claros iniciou, nesta quinta, uma ação para pressionar a Prefeitura de Belo Horizonte contra a flexibilização das medidas de distanciamento social, com o intuito de evitar a proliferação da Covid-19.

De acordo com o sindicato, tais medidas colocariam a vida de milhares de trabalhadoras e trabalhadores em risco. O movimento conta com a adesão dos setores da UFMG e também de diversas entidades sindicais e movimentos sociais.