O empresário Marcos Valério, condenado em 2012 pelo Mensalão do PT e neste ano pelo Mensalão Tucano, denunciou agentes da Associação de Proteção e Assistência ao Condenado (Apac), onde cumpre pena, por maus tratos. Nessa quarta-feira (19), Valério foi encaminhado ao Instituto Médico Legal (IML) para um exame de corpo de delito para apurar marcas de algemas que teriam sido intencionalmente apertadas demais.

Segundo Valério, ele estava a caminho de um depoimento ao delegado Rodrigo Bossi e, durante o transporte, os agentes que o acompanhavam teriam apertado as algemas propositalmente, o que deixou marcas vermelhas em seus pulsos.

Procurada, a direção da Apac Sete Lagoas, onde Valério cumpre pena desde o ano passado, afirmou que está apurando os fatos. "Nós perguntamos aos funcionários e todos eles negaram qualquer tratamento indevido, mas estamos averiguando da maneira mais justa possível para que ninguém saia prejudicado. Com certeza foi um mal entendido", comentou o diretor da unidade, Flávio Rocha.

Saídas

As constantes saídas de Marcos Valério da unidade prisional em Sete Lagoas geraram bastante desconforto na última semana, após o deputado estadual Sargento Rodrigues (PTB) suspeitar que as autorizações de saída eram ilegais. A Comissão de Segurança Pública da Assembleia Legislativa de Minas Gerais (ALMG), presidida pelo deputado, visitou a unidade e constatou que as saídas são legítimas e fazem parte da negociação de um acordo de delação premiada.

O advogado do operador de mensalão, Jean Robert Kobayashi Júnior, afirmou que os depoimentos estavam sendo dados às polícias Civil e Federal na tentativa de homologar uma delação premiada.“Ele está colaborando, fornecendo documentos e vídeos. Suas falas estão sendo registradas em vídeo também. Havíamos tentado o acordo da delação com o Ministério Público Federal, com o Ministério Público mineiro e com a Polícia Federal em Minas. Mas a partir do julgamento da  Ação Direta de Inconstitucionalidade não precisamos mais da autorização deles e a homologação se dará diretamente com o ministro Celso de Mello”, afirmou.

A Ação Direta de Inconstitucionalidade (ADI) à qual Kobayashi se refere foi analisada pelo STF em junho deste ano e considerada improcedente, validando a possibilidade dos delegados de polícia realizarem acordos de colaboração premiada ainda na fase do inquérito policial. 

Condenações 

O empresário Marcos Valério cumpre pena na Apac por condenação em 2012 a 37 anos e cinco meses pelo chamado "Mensalão do PT", esquema de corrupção para a compra de votos de parlamentares no Congresso Nacional, ocorrido entre 2003 e 2005. Dessa condenação, ele já cumpriu cinco anos, sendo três anos e sete meses na Nelson Hungria, seis meses no Complexo Penitenciário da Papuda, em Brasília (DF), e um ano e dois meses na Apac.

Em junho deste ano, ele foi condenado em primeira instância a 16 anos e nove meses em outro esquema de corrupção, o "Mensalão Tucano", desvios de R$ 3,5 milhões de verbas públicas para a campanha de reeleição do ex-governador de Minas Gerais Eduardo Azeredo (PSDB), em 1998, também condenado e preso.

(Com Anderson Rocha)

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