Pelo menos 12 estupros tentados e consumados ocorrem por dia em Minas. A média leva em conta os registros dos três primeiros meses deste ano, quando 1.085 casos foram notificados. Apesar da queda de cerca de 10% nos crimes, na comparação com igual período de 2018, os números da Secretaria de Estado de Segurança Pública (Sesp) lançam alerta para esses abusos diários que, não raro, são cometidos até contra menores de idade.

O ato de covardia voltou à tona ontem, após duas graves ocorrências na capital. Em uma delas, a vítima era um paciente de 38 anos, internado no Hospital de Pronto-Socorro (HPS), João XXIII. O suspeito é um técnico de enfermagem de 50, que foi preso.

Conforme a Polícia Militar, a corporação foi acionada pela mãe do paciente. O estupro teria ocorrido quando o profissional levou o rapaz para tomar um banho. Lá, ele teria recebido toques no peito e umbigo, além de ter sido perguntado “se queria uma masturbação”. De luvas, o funcionário do hospital ainda teria utilizado um óleo mineral para introduzir dois dedos no ânus da vítima.
 
À PM, o técnico de enfermagem negou as acusações. Ele diz ter deixado a porta entreaberta e informado que o óleo é um produto padrão para os banhos. O suspeito foi levado à Central de Flagrantes 2 (Ceflan 2), no Santa Tereza, Leste de BH.

Em nota, o HPS disse que as providências necessárias foram tomadas, que a Controladoria Seccional da Fundação Hospitalar de Minas Gerais (Fhemig) e a direção da unidade de saúde vão investigar o caso e “avaliar se caberá o afastamento do servidor até que tudo seja devidamente apurado e esclarecido”. 

Guarda

Já no bairro Juliana, na região Norte, a vítima é uma adolescente de 17 anos e o suspeito, um agente da Guarda Municipal. Segundo depoimento dado aos militares, ela caminhava quando foi surpreendida pelo homem, aparentemente bêbado, que a ameaçou com uma faca.

O agente de 36 anos teria conduzido a jovem até um matagal. No entanto, ela diz ter reagido, tirado a arma do agressor e gritado por socorro. Uma pessoa apareceu e deteve o homem, que também foi preso. Todos foram levados para a Delegacia Especializada de Atendimento à Mulher, no Barro Preto. 

O Comando da Guarda Municipal afirmou que considera grave a acusação, que é acompanhada de perto pela corregedoria. Além disso, foi solicitada a instauração de procedimento para apurar o caso. O órgão informou que o agente não estava em horário de serviço. 

*Com Anderson Rocha e Daniele Franco