Com uma média de 22 ocorrências de furtos a residências por dia registrados em 2018 em Belo Horizonte, o mês de janeiro acende um alerta para cuidados com a casa para quem vai viajar e precisa deixá-la sozinha. Para evitar esse tipo de ocorrência e inibir a criminalidade nas ruas, entre as iniciativas mais recomendadas tanto pela Polícia Militar quanto por especialistas estão as associações de vizinhos.

Um dos exemplos é a Associação Sion Unido. Nela, os moradores se uniram para monitorarem a vizinhança. A entidade foi criada em 2014 após um assalto terminar com pessoa ferida. “Percebemos, depois do assalto, que cada prédio, cada casa, sozinhos, não conseguiria chegar a resultados efetivos. Mas que a nossa união poderia fazer toda a diferença”, detalhou a presidente da associação, Fernanda Coutinho.

O especialista em segurança pública e professor de Ciências Sociais Luís Flávio Sapori classifica esse tipo de ação como essencial para a diminuição da criminalidade. "Quando um vizinho ajuda o outro no monitoramento da vizinhança, há a possibilidade de uma ação mais rápida da polícia, o que faz desta uma iniciativa que deve ser cada vez mais adotada e aprimorada".

Para a Polícia Militar, também há vantagem nesse tipo de associação, e nas palavras do tenente-coronel Fábio Almeida, comandante do 22º Batalhão, responsável pelo policiamento na região, "a união dos moradores é fundamental para que o monitoramento nos bairros seja mais efetivo e para que os criminosos sejam presos, além de o conhecimento sobre essa iniciativa inibir o autor de cometer o crime".

Método bem-sucedido

Fernanda detalhou algumas das ações quem vêm sendo aplicadas na vizinhança e garantiu que elas têm sido bem-sucedidas no combate à criminalidade na região. Uma das táticas dos moradores dos bairros Carmo e Sion é monitorar a movimentação na rua. Se uma pessoa ver de casa alguma ação suspeita ou com características de crime, ela toca um apito em casa. Quem estiver na vizinhança e ouvir o barulho apita também de sua casa e assim sucessivamente. De acordo com a associada, a técnica assusta o criminoso e dá tempo para que alguém chame a polícia. “Tivemos um caso aqui neste ano em que um morador viu algumas pessoas arrombando uma escola de inglês que estava fechada para recesso. Ele usou a tática do apito, chamou a polícia e os suspeitos foram presos”, exemplificou.

O apito usado pelos moradores, segundo Fernanda, também é usado em sistemas de segurança de vizinhanças nos Estados Unidos e na Europa. O equipamento é eletrônico, funciona a bateria. Fernanda contou que mais de 100 residências no bairro têm o apito instalado.

Adriana Continentino, dona de um comércio no Sion e moradora do bairro há 27 anos, afirma que se sente bem mais segura com as medidas adotadas pela associação. "Antes era uma sensação de estar sozinha mesmo, não havia essa mobilização e o crime acontecia com muito mais facilidade. Agora eu me sinto tranquila, porque nós temos essa rede que já impediu uma série de ocorrências e levou à punição dos culpados em várias outras", declarou.

A comerciante ainda ressaltou a importância do trabalho junto com a polícia. "Atuamos de forma bem próxima e temos contato direto com os militares que nos atendem. E isso só foi possível através da associação. Tudo acontece de forma rápida, a comunicação entre os vizinhos e a PM é quase instantânea e, assim, as providências podem ser devidamente tomadas".

Para a temporada de férias, os moradores do Sion também se preparam para intensificar as ações de prevenção. De acordo com a presidente da associação do bairro, serão realizados treinamentos com os vizinhos junto à Polícia Militar. “É uma questão de disposição em prol do bem comum, se os vizinhos se dispuserem a ter esse olhar atento, solidariedade e a chamarem a PM quando for necessário, conseguimos reduzir drasticamente a criminalidade nas vizinhanças, e qualquer bairro pode fazer o mesmo”, orientou Fernanda.