Moradores do Vale dos Cristais, em Nova Lima, realizaram, no último domingo (28), uma manifestação contra uma construção na Serra do Souza, na Região Metropolitana de Belo Horizonte. O ato aconteceu por iniciativa da Associação Geral do Vale dos Cristais (AGVC). O terreno pertence à mineradora Anglo Gold Ashanti, que possui contrato de permuta com as construtoras Patrimar e Somattos, responsáveis pela obra.

Segundo o presidente da AGVC, Luíz Nepomuceno, o protesto se dá devido a possíveis danos ambientais que a construção causaria à Serra e aos animais da região. "No Monumento Natural da Serra do Souza foram identificadas 430 espécies de plantas, distribuídas em 73 famílias botânicas. Dentre os atributos da fauna, destace-se o tucanaçu, sabiá-laranjeira, e benetivizinho-de-penacho-vermelho", pontuou.

Luíz acrescenta que a região é um grande refúgio para aves endêmicas (animais encontrados apenas em um local). Ainda conforme o presidente, uma das normas do plano de manejo do monumento deveria ter sido criado em 2014, e os prédios teriam no máximo quatro andares, respeitando o desenho natural das montanhas. Segundo a AGVC a construção será de cinco prédios com 15 andares cada, mas de acordo com as construtoras o empreendimento terá cinco prédios, sendo que quartro deles com 14 andares, e o quinto 15. 

Em nota, a prefeitura de Nova Lima disse que o licenciamento ambiental foi autorizado pelo Estado e que coube a concessão do alvará em razão do cumprimento, pelo empreendedor, das demais fases do processo administrativo. "O município pretende regularizar todas as unidades de conservação que possui alguma pendência, como gestão dessas áreas, cercamento, ações de combate a incêndio e educação ambiental, além do plano de manejo, não solucionados em gestões passadas."

Posicionamento das empresas

AngloGold Ashanti disse, em nota, que todas as empresas presentes no projeto respeitam os limites impostos para efetuar a construção. "Salientamos que todas as empresas envolvidas são orientadas pelos compromissos de integridade, ética e respeito, respeitando todas as normas e legislações vigentes. Aproveitamos para reforçar que a AngloGold Ashanti se mantém sempre aberta ao diálogo com todos os interessados." 

Já as empresas Patrimar e Somattos disseram que realizaram estudos para que a construção não gere problemas ambientais à Serra do Souza. "Reafirmamos que foram realizados estudos específicos ambientais, urbanos, arquitetônicos e paisagísticos para subsidiar uma proposta com sustentabilidade, respeito ao meio ambiente e à comunidade do Vale dos Cristais, bem como atendimento integral à legislação vigente", afirmaram.

Ainda segundo as empresas,a construção não alcançará a área de preservação da Serra. "A ocupação projetada não avança sobre a área de preservação permanente e nem sobre a região remanescente de Mata Atlântica. Além disso, haverá uma Estação de Tratamento de Esgoto (ETE) própria na área do projeto para tratar integralmente os efluentes. Também serão realizados investimentos na infraestrutura para melhoria viária e solução da mobilidade, entre outras ações", concluíram. 

(*) Estagiária sob supervisão da editora-adjunta Raíssa Pedrosa

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