Após ser acusado de agredir um passageiro com uma chave de roda no último domingo (14), o motorista de aplicativo Christian Henrique Frizzira se apresentou à Polícia Civil e deu sua versão dos fatos. Em seu depoimento, o homem disse que foi agredido com uma garrafa de cerveja.

Frizzira contou à PC que aceitou a corrida solicitada pelo advogado Thiago Phillip Abreu, no bairro União, na região Nordeste de Belo Horizonte, e ao ver que o destino seria a cidade vizinha de Sabará, afirmou ao passageiro que não faria a viagem e cancelaria a corrida para que depois Abreu reportasse à Uber. Nesse momento, segundo o motorista, Thiago, que aparentava estar alcoolizado, começou a brigar e tentar agredi-lo.

Ainda de acordo com o motorista, os dois então teriam saído do veículo e, logo em seguida, Abreu teria arremessado uma garrafa de cerveja que acertou e feriu a cabeça de Frizzira. O motorista, que estava com a chave de rodas de seu carro nas mãos, segundo ele para se defender, golpeou o passageiro com socos e uma vez com a ferramenta.

Em seu relato, Frizzira ainda citou uma testemunha que também era motorista de aplicativo e separou os dois. Segundo ele, só ficou sabendo na segunda-feira (15) através das redes sociais que estava sendo acusado de agredir o advogado sem causa. 

Acusação

O caso da briga entre Abreu e Frizzira veio à tona nessa terça-feira (16), quando o advogado apresentou sua versão dos fatos à imprensa. O boletim de ocorrência foi feito no domingo (14), quando o fato ocorreu. 

O advogado contou que estava na rua Alberto Cintra quando decidiu ir para casa, no bairro Alvorada, em Sabará, na Grande BH. "Fui até uma rua perto pedir o carro e, quando ele chegou e viu o destino, me disse que não me levaria e que eu deveria cancelar a corrida, provavelmente para não ser cobrado pela Uber", detalhou.

Quando Abreu se recusou a cancelar a corrida, os dois começaram uma discussão dentro do carro e, quando saiu do veículo, o advogado contou que bateu a porta com certa agressividade, o que deixou o motorista ainda mais nervoso. "Ele saiu do carro e fez gestos que indicavam que ele estava armado e sacaria a arma para mim, aí eu corri", explica.

O motorista, então, entrou no carro e foi atrás do passageiro e, ao alcançá-lo, ele jogou o veículo contra Abreu, que caiu. Segundo a vítima, o suspeito saiu do carro e começou a golpeá-lo com o que parecia ser uma chave de roda, principalmente na cabeça. "Quando eu estava quase desfalecendo, ele parou a agressão e foi embora, aí eu acredito que foi Deus, porque eu estava ali quase morrendo", relatou o advogado.

Abreu, então, alega que se levantou com dificuldade e andou alguns metros até chegar a um passeio onde se deitou embaixo de uma árvore bastante ferido e coberto de sangue. Cerca de dez minutos depois ele viu que uma viatura da Polícia Militar se aproximava e ouviu uma mulher gritar por socorro para ele de um prédio nos arredores. Os policiais pararam e o levaram para o Hospital João XXIII.

No boletim registrado pela PM, consta que Abreu teria contado que a agressão começou após ele dizer ao motorista que não teria dinheiro para pagar a corrida, mas o advogado esclareceu ao Hoje em Dia que a confusão no B.O. aconteceu porque o depoimento foi prestado enquanto ele estava muito debilitado no hospital. "Eu só queria que terminasse logo ali, mas fui logo depois que tive alta à Polícia Civil e apresentei a versão correta", justificou.

No hospital, Abreu passou por uma série de exames para averiguar as lesões sofridas. O advogado sofreu um afundamento no lado esquerdo da face e levou cerca de 60 pontos na cabeça. Ele também tratou um corte no ombro.

Abreu foi procurado para comentar a defesa do motorista, mas ainda não se pronunciou.

Expulsão

Com a ocorrência, o passageiro entrou em contato com a Uber e a plataforma respondeu, por e-mail, que o motorista foi expulso do quadro de parceiros.

À imprensa, a empresa lamentou o caso e afirmou considerar inaceitável o uso de violência. No entanto, a Uber afirmou que as versões do passageiro e do motorista "apresentam contradições, que só poderão ser elucidadas pelas investigações", mas que a conta do suspeito foi suspensa até que as circunstâncias sejam esclarecidas.

Confira a nota na íntegra:

A Uber lamenta o caso e considera inaceitável o uso de violência. Esperamos que motoristas parceiros e usuários não se envolvam em brigas e discussões e que contatem imediatamente as autoridades policiais sempre que se sentirem ameaçados. No caso específico, os relatos do usuário e do motorista parceiro apresentam contradições, que só poderão ser elucidadas pelas investigações. A conta do motorista parceiro já foi suspensa, enquanto aguardamos pelas apurações. A Uber está à disposição das autoridades competentes para colaborar, nos termos da lei.

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