Um motorista de aplicativo de 43 anos foi preso na última semana suspeito de importunar sexualmente uma passageira de 42 em Contagem, na Região Metropolitana de Belo Horizonte.

O caso aconteceu na última quinta-feira (12) e, segundo a vítima, ela pediu um carro pelo aplicativo Uber para levá-la até onde o marido trabalha para que ela entregasse a ele uma marmita. O percurso de ida teria sido normal, mas após deixar a encomenda no destino, ela voltou ao carro e o motorista teria começado a se comportar de forma inadequada. A mulher contou à Polícia Militar que ele começou a fazer perguntas pessoais, querendo saber se ela era casada, se tinha filhos, se o homem com quem havia deixado a marmita era seu marido.

O suspeito, então, teria se desviado da rota apontada e parado na avenida General David Sarnoff, esquina com a avenida Tito Fulgêncio, e tirado o cinto de segurança. A vítima relatou que viu o homem desafivelando o cinto da calça antes de se virar e colocar a mão entre as pernas da mulher, cuja saia chegou a ser levantada.

A mulher o repreendeu e perguntou se ele estava louco, chegando ainda a dar um chute na direção dele para se defender e saindo em seguida do veículo. O suspeito teria pedido para que ela voltasse que ele a levaria para casa, mas ela recusou e correu em direção ao trabalho do marido.

Ela chegou em casa e contatou a polícia e o suporte da Uber, que forneceu as informações necessárias para a captura do suspeito. O homem foi encontrado em casa e preso.

Outro lado

No caminho para a delegacia para onde foi levado, o homem chegou a ameaçar a mulher, dizendo que não daria sossego a ela e que ela não sabia com quem tinha mexido.

Apesar das ameaças, o suspeito negou a versão da vítima e afirmou que ela estava com raiva do marido e se mostrava disponível a qualquer experiência sexual. Segundo o homem, a vítima teria colocado o pé no câmbio e ele chegou a alisar a perna dela, mas disse que era casado e pediu que ela descesse do carro.

O caso foi encaminhado para a Delegacia de Plantão de Atendimento à Mulher e o homem foi preso por importunação sexual.

A reportagem entrou em contato com a Uber, que se posicionou por meio de nota. Leia, a seguir, na íntegra:

A Uber considera inaceitável e repudia qualquer ato de violência contra mulheres. A empresa acredita na importância de combater, coibir e denunciar casos dessa natureza. Nesse caso, a conta do motorista parceiro foi desativada assim que a empresa tomou conhecimento do episódio. A Uber também encoraja que as mulheres denunciem qualquer violência às autoridades competentes e permanece à disposição para colaborar com as investigações ou processos judiciais, na forma da lei. 

A empresa defende que as mulheres têm o direito de ir e vir da maneira que quiserem e têm o direito de fazer isso em um ambiente seguro. Todas as viagens com a plataforma são registradas por GPS. Isso permite que em caso de incidentes nossa equipe especializada possa dar o suporte necessário, sabendo quem foi o motorista parceiro e o usuário, seus históricos e qual o trajeto realizado. Isso permite que, em caso de necessidade, nossa equipe especializada possa dar suporte às autoridades, observada a legislação brasileira aplicável, compartilhando informações sobre motorista parceiro e o usuário, seus históricos e qual o trajeto realizado, além de acionar seguro que cobre despesas médicas em caso de incidentes. 

Como parte do processo de cadastramento para utilizar o aplicativo da Uber, todos os motoristas passam por uma checagem de antecedentes criminais realizada por empresa especializada que, a partir dos documentos fornecidos pelo próprio motorista e com consentimento deste, consulta informações de diversos bancos de dados oficiais e públicos de todo o País em busca de apontamentos criminais, na forma da lei. 

No fim do ano passado, a Uber anunciou um compromisso público para enfrentamento à violência contra a mulher no Brasil, materializado no investimento em projetos elaborados ao longo dos últimos 18 meses em parceria com dez entidades que são referência no assunto. Desde então foram desenvolvidos recursos para identificar mensagens impróprias e eliminar do histórico os pontos exatos de embarque e desembarque, além de campanhas contra assédio e podcast sobre violência contra a mulher, entre outras ações. Em novembro, a Uber renovou esse compromisso público para unir forças no enfrentamento à violência contra a mulher, com a continuidade do apoio a ONGs que são referência no assunto, materializado no investimento de R$ 5 milhões ao longo dos próximos três anos.