Edi Alves Guimarães não morreu por intoxicação por monóxido de carbono, atestou o Hospital Risoleta Neves. Em nota enviada à imprensa, a unidade de saúde afirmou que os exames não constataram intoxicação por inalação de fumaça tóxica da queima de pneus na manifestação de sexta-feira (14). A mulher, de 53 anos, esteve internada de sexta até essa segunda-feira (14), quando foi constatada a morte encefálica, por volta das 14h30. No comunicado, o hospital lamentou a morte e informou que o óbito foi associado a doença cardíaca e neurológica.

A Polícia Civil (PC) já instaurou inquérito para investigar a morte. Edi estava em um ônibus vindo de Santa Luzia, na Região Metropolitana de Belo Horizonte, para a capital, que foi surpreendido pelos manifestantes, que haviam feito barricada com pneus incendidos na avenida Antônio Carlos, altura da portaria da UFMG, na Pampulha.

Segundo a corporação, pelo fato de a vítima ter morrido no hospital, é a instituição que faz os exames e o laudo, que é enviado ao IML. A PC, no entanto, afirmou que ainda desconhece o resultado das análises do hospital. O laudo gerado pelo IML deve ser liberado em 30 dias.

Além de acessarem o documento, os agentes ouvirão testemunhas do caso. A corporação ponderou que é cedo para fazer qualquer avaliação criminal sobre o ocorrido, já que há poucos elementos disponíveis à investigação. 

O Sindicato das Empresas de Transporte de Passageiros Metropolitano (Sintram), que responde pelo coletivo onde Edi estava quando passou mal, afirmou que "as empresas permanecem apurando internamente, inclusive por meio de filmagens, para que possam ajudar as autoridades policiais no esclarecimento da ocorrência." Na nota, a entidade esclareceu, ainda, que a mulher pediu para descer do coletivo assim que se sentiu mal e as empresas ainda tentam identificar qual era o veículo envolvido.

Histórico

O caso aconteceu na manhã de sexta, quando milhares de pessoas foram às ruas em todo o país para protestar contra a Reforma da Previdência e os contingenciamentos na Educação. Os protestos transcorreram sem confrontos e a mulher foi a única vítima de ocorrência relacionada às manifestações.

Conforme a Polícia Militar, o ônibus em que a vítima estava se encontrava próximo aos pneus em chamas e ela acabou inalando a substância tóxica produzida pela queima e passou mal. A vítima foi levada às pressas por uma viatura do Tático Móvel do 13º Batalhão até o Risoleta Neves. No hospital, sofreu parada cardiorrespiratória e precisou ser reanimada. O estado de saúde seguiu gravíssimo até a constatação da morte encefálica, na tarde dessa segunda.

Velório e enterro de Edi acontecem na tarde desta terça-feira (18), em Santa Luzia.