Um esquema criminoso foi desarticulado pela Polícia Civil na Penitenciária de Segurança Máxima de Francisco Sá, no Norte de Minas, após dois anos de investigação. A Operação Trojan, realizada nesta quarta-feira (25), prendeu 14 pessoas – cinco policiais penais, uma advogada, três detentos, quatro parentes de presos e um comerciante de Francisco Sá.

Durante a ação, foram cumpridos 11 mandados de busca e apreensão e o bloqueio de 16 contas bancárias relacionadas ao grupo criminoso. Os envolvidos são suspeitos de corrupção ativa, passiva, prevaricação e lavagem de dinheiro.

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Polícias Civil e Penal realizaram investigações durante dois anos, com bloqueio de conta bancária e análise de mais de 100 mil ligações de celulares apreendidos na Penitenciária de Francisco Sá

Segundo a Polícia Civil, a organização atuava dentro e fora dos presídios com o objetivo de facilitar fugas e entradas de objetos ilícitos, bem como fornecer informações privilegiadas aos detentos.

A investigação começou em setembro de 2019, após ocorrer a fuga de três presos na penitenciária e a Polícia Civil obter informações de que a entrada de aparelhos celulares estava sendo facilitada.

Os detentos conseguiram fugir após serrarem as grades que davam acesso ao pátio de banho de sol e usaram uma tereza (corda feita com lençol) para escapar.

“Foi uma fuga completamente anormal, ficou notória a participação de servidores. Durante o trabalho, conseguimos identificar que alguns agentes forneceram serras e teriam recebido essas encomendas pessoalmente e também por meio de Sedex. Eles articulavam a data da entrega exatamente no dia em que estavam de serviço, para facilitar a entrega e daí tentar a fuga”, afirma o delegado Alberto Tenório.

Durante as investigações, foram apreendidos cem aparelhos telefônicos na penitenciária e a Polícia Civil analisou mais de 100 mil ligações, feitas de dentro da unidade prisional.

Isso levou aos autores e integrantes da organização criminosa. Durante as investigações, o Setor de Inteligência das polícias Civil e Penal teve acesso a um bilhete onde havia um número de conta bancária dentro de uma das celas. Com a quebra de sigilo, foi identificada uma movimentação financeira de R$ 102 mil. Essa conta estava sendo utilizada para recebimento de vantagens dessa organização criminosa. 

Esquema

A transação entre os detentos e os policiais penais era articulada por dois presos que faziam faxina dentro da penitenciária. Além disso, uma advogada fazia o intercâmbio entre os clientes e os policiais penais, oferecendo vantagens indevidas em troca da entrada de celulares e informações que facilitariam fugas.

Os aparelhos entravam na unidade prisional por meio de Sedex, arremessados de fora da penitenciária, e pelos próprios agentes penitenciários que entravam com esses telefones como se fossem deles e depois repassavam para os faxineiros. 

Todos vão responder por organização criminosa, lavagem de dinheiro, corrupção ativa e passiva e prevaricação. O inquérito tramita na Delegacia de Operações Especiais em Montes Claros e tem um prazo de dez dias para ser concluído.

Combate à corrupção

O diretor Regional de Polícia Penal, Antônio Costa, disse que qualquer ato ilícito cometido por servidores será punido no rigor da lei. “O Depen (Departamento Penitenciário) não compactua com práticas ilícitas e realiza trabalhos de forma integrada, através dos serviços de segurança pública, no combate à corrupção. O trabalho é contínuo e as forças de inteligência estão sempre trabalhando. É um trabalho conjunto com o setor de inteligência das polícias Penal e civil”, explica.

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