O microempresário Paulo Henrique da Rocha, de 33 anos, suspeito de matar a ex-companheira e o filho dela a tiros, nesta segunda-feira (29), em Belo Horizonte, teria planejado o assassinato. Os delegados à frente da investigação levantaram a hipótese na tarde desta quarta-feira (31), após a prisão do homem.

Os investigadores disseram ao Hoje em Dia que Rocha seguiu uma série de atitudes que são padrão em crimes premeditados. A principal delas é que ele vinha se desfazendo, em seu perfil no Facebook, de uma série de itens pessoas, como móveis e eletrodomésticos, colocando-os à venda, há cerca de dois meses. Nesta quarta, o perfil foi apagado pelo microempresário.

A delegada Ingrid Estevam, da Delegacia de Homicídios e Proteção à Pessoa (DHPP), na capital, também observou que o suspeito tinha, no carro, malas prontas para viagem, o que indicava que ele já planejava fugir depois do crime.

"Esse crime foi premeditado não só pelo tempo que ele estava ali esperando as vítimas, mas pela mala que estava no carro em que ele foi preso hoje à tarde e também pela situação de nem ter trocado de roupa. Porque a blusa que aparece no vídeo estava no carro com ele", contou a investigadora.

Imagens de câmeras de segurança da rua onde o crime aconteceu, no bairro Ipiranga, região Nordeste da cidade, mostram um homem, que os policiais indicam ser Rocha, na cena do crime já às 17h33 da tarde. Mãe e filho foram mortos às 21h30.

Preventiva

Rocha permaneceu em silêncio quando foi detido. A prisão é preventiva pelo cometimento dos assassinatos, e ele será levado para o Centro de Remanejamento do Sistema Prisional (Ceresp), do bairro Gameleira, em Belo Horizonte. Contudo, a delegada também procederá com um flagrante por porte ilegal de arma de fogo.

"O porte ilegal de arma de fogo é outro crime. Agora, pode ser que ele seja ouvido amanhã (nesta quinta-feira, 1º) em audiência de custódia e a Justiça também converta esse flagrante em prisão preventiva. Mas são duas coisas independentes. Ele já tem a preventiva pelos assassinatos, autorizada pela Justiça", afirmou o delegado Emerson Crispim Moraes, chefe da Divisão de Crimes Contra a Vida.

O advogado Leonardo Mouro Alves, que representa o suspeito, disse que vai entrar com um habeas corpus pela soltura do cliente. "Ele é réu primário e tem transtornos psicológicos", comentou o defensor.

Crime

A agente de controle de endemias Tereza Cristina Peres de Almeida, de 44 anos, e Gabriel Mendes Paula, de 22, foram mortos a tiros, quando voltavam da academia que frequentam, no bairro Ipiranga. O jovem levou um tiro no ouvido e a mulher foi atingida três vezes no tórax e uma na cabeça.

Desde 2017, conforme a polícia, a mulher vinha denunciando o ex-marido. A Polícia Civil afirma ter pedido a prisão preventiva do homem em março. Porém, a juíza responsável pelo caso negou que a Justiça tenha sido comunicada que o ex-marido havia descumprido a medida protetiva, que havia concedido para ela em janeiro.

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