Pelo menos 120 pessoas já foram retiradas de suas casas nas proximidades de cinco barragens da Vale que tiveram o nível de risco elevado de 1 para 2 nesta quarta-feira (20). O número, porém, ainda pode aumentar, conforme informou a Defesa Civil. 

A decisão de comunicar os moradores antes do toque da sirene, no fim da tarde, foi tomada para evitar que saíssem de forma desordenada e para que possam retirar o que for preciso de casa. Após isso não será mais permitido que retornem ao local. 

“Não existe prazo estipulado para que possam retornar. Isso com certeza vai demorar algum tempo e a Vale não apresentou data”, tenente-coronel da Defesa Civil Flávio Godinho.

Precisam sair aqueles que estão na chamada Zona de Autossalvamento, que compreende uma distância de 10 km da mina ou 30 minutos de onde a lama pode chegar no caso de rompimento das estruturas. A Defesa Civil esclarece que não há riscos para moradores dos centros de Itabirito ou Ouro Preto. Já nas zonas secundárias, as medidas a serem implementadas a curto prazo serão definidas pela Defesa Civil municipal das cidades. 

Questionado sobre a quantidade sucessiva de casos e sobre a possibilidade de novas áreas próximas a barragens serem evacuadas, o porta-voz da Defesa Civil afirmou que esta é uma resposta que só pode ser repassada pela Vale, que detém "caracterização de barragens e população a jusante". Conforme Godinho, o papel do órgão é oferecer assistência para as pessoas que foram retiradas de casa.

Segurança

Conforme o tenente-coronel Flávio Godinho, a informação repassada pela mineradora foi de que os parâmetros mudaram para que seja possível realizar o descomissionamento das barragens. Retirar as famílias das proximidades permite que o trabalho seja feito com mais atenção e sem risco às vidas, diferente de casos anteriores, quando houve problemas em laudos e outros documentos. 

Em Vargem Grande, em Nova Lima, na Grande BH, na divisa com Itabirito, 33 famílias, totalizando 100 pessoas, foram retiradas. Já na região de Forquilha I, Forquilha II, Forquilha III e Grupo, em Ouro Preto, Central do Estado, 24 pessoas de oito famílias deixaram a área. 

A empresa realiza cadastro e encaminha os desabrigados para hotéis de Itabirito, Nova Lima e Belo Horizonte. Os pontos de acolhimento contam com psicólogos e assistentes sociais.

Polícia Militar

A Polícia Militar também atua nas regiões evacuadas. Equipes dos municípios e de regiões vizinhas já foram deslocadas para apoiar as operações, inclusive, de retirada das famílias, além de coordenar o trânsito de pessoas e evitando acesso às áreas isoladas. 

"Para que a saída seja ordenada e patrimônio fique garantido. Não há risco iminente, mas uma situação preventiva, o que fez com que forças de segurança tomasse providências. Tropas da capital também têm sido enviadas", explicou o major da Polícia Militar, Flávio Santiago.  

 

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