A associação entre crimes contra o patrimônio e o tráfico de drogas tem chamado a atenção da Polícia Civil em Minas. Na manhã do último domingo, a investigação de uma quadrilha especializada em roubos de cargas terminou na apreensão de quase 1 tonelada de maconha na região do Barreiro, em Belo Horizonte.

 A comercialização do entorpecente geraria um lucro de pelo menos R$ 1,5 milhão aos bandidos.Segundo o delegado do Departamento Estadual de Investigação de Crimes Contra o Patrimônio (Depatri), João Marcos de Andrade Prata, a ligação entre os dois delitos tem sido “cada vez mais comum” no Estado. Detalhes da atuação dos criminosos não foram fornecidos.

A droga apreendida estava escondida embaixo de centenas colchões que possivelmente são frutos de roubo, segundo suspeita dos investigadores. A carga vinha do Paraná.

O destino seria Sete Lagoas, na região Central do Estado, o bairro Lindéia, no Barreiro, e o aglomerado Suvaco das Cobras, próximo ao bairro Califórnia, na região Noroeste da capital. 

Flagrante

O flagrante foi em um galpão na avenida Afonso Vaz de Melo, por volta das 10h. Todos os suspeitos monitorados pelos policiais entraram no local instantes depois da chegada do caminhão.

A movimentação confirmou a suspeita dos investigadores que fizeram a abordagem logo em seguida e encontraram o material. Ao todo, dez pessoas foram presas, sendo sete homens e três mulheres. Eles têm entre 20 e 40 anos. 

“Era uma investigação focada em um grupo especializado em receptação e roubos de cargas que já durava cerca de quatro meses”, explica Prata. “A droga pode ter vindo do Paraguai e seria uma espécie de consórcio entre várias quadrilhas”, destaca.

Ainda de acordo com o delegado, o motorista que conduziu o caminhão recebeu R$ 2 mil para custear a viagem do Paraná até BH. O homem confessou, no entanto, que receberia mais R$ 15 mil pelo serviço após a entrega do carregamento. 

Todos os detidos, segundo a polícia, já foram indiciados por associação ao tráfico de drogas. A maioria tem passagem por roubo e contrabando. Caso sejam condenados, podem pegar até 30 anos de cadeia.