O protesto contra os contingenciamentos na educação pública que aconteceu nesta quarta-feira (15) em várias cidades do Brasil reuniu 250 mil pessoas em Belo Horizonte, segundo apontou o vice-presidente da União Nacional dos Estudantes (UNE) no Estado, Gabriel Luna. O número também foi divulgado no discurso de encerramento do ato. A manifestação começou na Praça da Estação e a dispersão aconteceu na praça Raul Soares, ambas no Centro da capital e, de acordo com Luna, foi o maior do Brasil na parte da manhã.

Além de reivindicar a manutenção das verbas da educação, o movimento também reunia manifestantes contra a Reforma da Previdência. Segundo o diretor do Sindicato dos Trabalhadores em Educação da Rede Pública Municipal de Belo Horizonte (Sind-Rede-BH), Daniel Wardil, a reforma foi o motivo primário da convocação para o protesto, que seria somente de professores, mas com o anúncio feito no dia 30 de abril pelo Ministério da Educação (MEC) levou outras categorias ao movimento. "Agora, cerca de 20 outros movimentos sociais se juntaram a nós contra o sucateamento da educação pública", afirmou.

A estudante Daniela Moura, 19, membro da União Colegial de Minas Gerais, que organiza os secundaristas no Estado, se declarou satisfeita com os resultados das manifestações desta quarta. "Foi um dia histórico porque reunimos milhares de pessoas insatisfeitas com as ações e declarações do governo, que entendemos como um ataque à educação, aos direitos trabalhistas, e hoje conseguimos dar o recado em alto e bom som de qual é o país que queremos", comemorou.

A Polícia Militar informou que não passa estimativa de público em manifestações. De acordo com a corporação, o ato aconteceu sem ocorrências.

Impactos

A movimentação dos manifestantes refletiu no trânsito da capital durante toda a manhã de quarta-feira (15). De acordo com a BHTrans, foram registrados pontos de lentidão em toda a região central de BH e no complexo da Lagoinha. A autarquia, no entanto, não fez medição do tamanho do congestionamento em quilômetros.

O trânsito foi totalmente liberado após a dispersão dos manifestantes, por volta das 13h50.

MEC

O Ministério da Educação (MEC) garante que o contingenciamento de recursos se deve a restrições orçamentárias impostas a toda a administração pública federal em função da atual crise financeira e da baixa arrecadação dos cofres públicos.

Segundo o MEC, o bloqueio preventivo atingiu apenas 3,4% das verbas discricionárias das universidades federais, cujo orçamento para este ano totaliza R$ 49,6 bilhões. Deste total, segundo o ministério, 85,34% (ou R$ 42,3 bilhões) são despesas obrigatórias com pessoal (pagamento de salários para professores e demais servidores, bem como benefícios para inativos e pensionistas) e não podem ser contingenciadas.

De acordo com o ministério, 13,83% (ou R$ 6,9 bilhões) são despesas discricionárias e 0,83% (R$ 0,4 bilhão) são aquelas para cumprimento de emendas parlamentares impositivas, já contingenciadas anteriormente pelo governo federal.

Bolsonaro

Um vídeo divulgado no Twitter mostra a opinião de Jair Bolsonaro sobre os protestos desta quarta-feira (15) em todo o país: "são uns idiotas", disse o presidente. Veja abaixo:

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