À noite, ele aciona luzes sob o teto dos pontos de ônibus. Ao captar a claridade natural do amanhecer, as desliga automaticamente. Com a aparência de uma sirene, novos sensores de luminosidade, que estão em teste na capital, despertam a curiosidade dos usuários do transporte público. 

Posicionados na cobertura dos atuais abrigos, que começaram a ser trocados no início do ano passado, os aparelhos foram instalados em pelo menos dez pontos na avenida do Contorno, em Belo Horizonte. Hoje, 316 paradas de ônibus contam com algum sistema de iluminação. 

O grande índice de falhas do modelo instalado anteriormente foi o que levou a empresa responsável pela renovação das coberturas em BH a procurar novos sensores, explica a engenheira e gerente de operação da Urbana Mídia, Glenda Serpa. 

"Estamos tentando arrumar um modelo mais resistente, porque os outros queimaram com muita facilidade. O sensor vermelho, que parece uma sirene, é o mais novo. Estamos testando para ver se ele é mais eficiente", diz.

Outra razão para a troca é o vandalismo. Desde outubro, 20 sensores de luminosidade já foram furtados. Para evitar mais crimes, Glenda considera mudar a localização dos equipamentos, que estão posicionados em locais visíveis. 

"A aparência vermelha chama mais atenção e desperta a curiosidade das pessoas. Podemos colocar em uma posição mais inclinada, para não ficar tão visual", acrescenta.

Eficiência

Os testes com o novo modelo começaram em dezembro. Caso a empresa comprove a eficácia do aparelho, ele será adotado nos demais abrigos de Belo Horizonte. Além das estruturas que já estão nas ruas, serão instaladas cerca de mil novas coberturas até 2020.

Conforme a empresa Urbana Mídia, a iluminação está presente em três pontos dos abrigos: no painel de publicidade, no letreiro que traz o nome do ponto, e por dentro da estrutura, em uma fita LED.

No entanto, para a vice-presidente da Associação dos Usuários de Transporte Coletivo e Alternativo de Belo Horizonte, Gislene Gonçalves dos Reis, a estrutura ainda não é a ideal. 

"A luz é bem fraca. Então, quando a iluminação da rua é ruim e nos horários que o ponto está cheio, fica menos eficiente ainda", relata. 

A BHTrans foi procurada, mas apenas confirmou que se tratava de um sensor, sem comentar o assunto.

N/A

Nos pontos de ônibus muita gente confundiu o sensor com um giroflex 

A equipe de reportagem do Hoje em Dia rodou praticamente toda a extensão da avenida do Contorno e conversou com algumas pessoas. A maioria estava curiosa para saber do que se tratava. Todos arriscaram palpites. Confira:

"Os servidores que instalaram o aparelho conversaram conosco e comentaram que achavam que isso era um sensor para um aplicativo de ônibus para o celular"
Marcos Cruz
Vendedor 

"Nós não fomos comunicados sobre isso, estou até curioso para saber do que se trata"
Gilson Coelho
Cobrador de ônibus

"Talvez seja um sensor como os dos postes da rua, que apaga as luzes com a claridade. Acho que eles devem colocar iluminação nos pontos de ônibus e o aparelho deve indicar quando elas devem acender ou apagar"
Rafael Carvalho
Videomaker 

"Às vezes ficamos escondidos atrás da árvore, acho 
que é para chamar atenção de quem dirige 
(motoristas de ônibus)"
Keifany Cristielle Dutra
Gerente administrativa

"Não tínhamos percebido que a iluminação foi colocada dentro do ponto. Não vimos nem o sensor nem as lâmpadas. Mas é algo positivo sim, pelo menos melhora a sensação de bem-estar para o passageiro"
Luiz Horsth 
Representante comercial

(*) Colaboraram Mariana Durães e Raul Mariano