Membros do movimento Tarifa Zero se organizam para diversas ações na próxima semana contra o aumento de passagens de ônibus na capital, que passou a custar R$ 4,50 nessa quinta-feira (3). A principal atividade será um protesto na próxima quinta-feira (10), na Praça Sete, no Centro da cidade, a partir das 18h.

Mas já na terça-feira (8), os integrantes do movimento se reúnem com o público para organizar as diretrizes da mobilização de quinta. Na quarta-feira (9), haverá um "aulão" em frente à sede da Prefeitura de Belo Horizonte para discutir o cálculo tarifário feito pelo Tarifa Zero, que chegou à conclusão que a passagem em BH deveria custar R$ 3,45.

Annie Oviedo, integrante do movimento, justificou o ato afirmando que é absurdo um aumento de 11% na passagem de ônibus, quando o salário mínimo sobe apenas 4% e a inflação sobe 6%. "Foi um aumento decidido a portas fechadas, sem a participação popular, sem a presença do Comurb (Conselho de Mobilidade Urbana), criado justamente para discutir essas questões", explicou, lembrando ainda que, além de BH, serão realizadas manifestações em outras cidades, como São Paulo.  

Sobre o ato de quinta, Oviedo explicou que é uma forma de protestar contra a negativa do prefeito Alexandre Kalil (PHS) para se reunir e discutir o assunto. "Tentamos marcar uma reunião com o prefeito para o dia seguinte em que divulgamos o cálculo, no dia 19 de dezembro, e ele negou, agora se ele não se reúne com a gente, vamos até ele".

Procurada, a assessoria da Prefeitura de Belo Horizonte afirmou que Kalil não tinha motivos para negar a reunião, uma vez que ele já se reuniu com representantes do movimento antes. Ainda segundo a PBH, não houve resposta negativa ao grupo, que protocolou o pedido de reunião mas ainda não foi respondido por conta da agenda atribulada de fim de ano.

Unificação

De acordo com Annie Oviedo, o movimento deve se reunir com outras entidades da sociedade civil que tenham a mesma reivindicação. Para ela, é de suma importância que os cidadãos acolham e se juntem ao movimento "Gostaríamos de convidar todos os cidadãos de Belo Horizonte que utilizam o transporte público para se juntar a nós e reivindicar um tratamento justo, um preço condizente com o serviço que é oferecido e a participação popular nesse tipo de decisão que interfere diretamente na vida de todos".

O Tarifa Zero ainda não tem uma previsão de público para o ato e não divulgou o trajeto que os manifestantes farão no dia 10 a partir da Praça Sete.

Imbróglio

A tarifa de R$ 4,50 foi anunciada pela primeira vez em dezembro de 2017 pelas empresas que operam o transporte público coletivo em Belo Horizonte. Entretanto, na ocasião, o aumento foi barrado pela prefeitura.

Neste ano, cumprindo uma de suas promessas de campanha, Alexandre Kalil divulgou os resultados de uma auditoria que estudou os documentos das empresas e da BHTrans e calculou o valor que a passagem em BH deveria custar. Segundo a empresa contratada, o belo-horizontino deveria pagar R$ 6,35 para se locomover de ônibus pela capital. O valor, no entanto, foi classificado como impraticável pelo prefeito, que permitiu que as empresas aumentassem o valor até R$ 4,50.

A medida anunciada pela PBH começou a valer no dia 30 de dezembro, mas logo foi derrubada por uma liminar expedida no dia seguinte que ordenava que a tarifa voltasse a custar R$ 4,05. O preço antigo foi retomado e permaneceu até essa quinta-feira (3), quando passou a valer uma segunda decisão judicial, que permitiu que a passagem custe R$ 4,50.

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