Três a cada quatro jovens assassinados em Belo Horizonte são negros. O indicador coloca a capital como a décima primeira do país que mais mata pretos e pardos com armas de fogo. Os dados constam em relatório divulgado ontem pela Comissão Especial de Estudo do Genocídio da Juventude Negra e Pobre, da Câmara Municipal de BH.

Os números mais recentes sobre o assunto, conforme a pesquisa, são de 2010. Na época, a metrópole registrou 392 homicídios de negros e 104 de brancos. No mesmo ano, 52,4% dos belo-horizontinos se declaravam negros e 47,4%, brancos.

Presidente da comissão, a vereadora Áurea Carolina afirma que os números apontam para um genocídio de negros na capital. “Não é apenas uma violência física, mas também simbólica contra uma forma de vida e práticas culturais”. 

Para a subsecretária de Políticas de Promoção da Igualdade Racial do Estado, Cleide Hilda de Lima Souza, o cenário reflete o “racismo institucional” enraizado na sociedade. “Queremos criar uma cooperação técnica para debater a abordagem dessa juventude que, sabemos, não é a mesma dos brancos”, explica.

Periferia

Baseado no Índice de Vulnerabilidade Juvenil (IVJ), coletado pela Prefeitura de BH, o estudo mostra ainda que os jovens negros moradores de áreas mais vulneráveis tendem a ser mais vítimas de homicídios na cidade.

Taquaril, Alto Vera Cruz e Granja de Freitas, bairros da zona Leste, apresentaram as piores taxas dentro desse perfil. Na outra ponta estão Santo Antônio, Cidade Jardim, São Pedro, São Bento e Luxemburgo, na região Centro-Sul. 

A comissão sugere à prefeitura a criação do Plano Municipal de Enfrentamento aos Homicídios de Jovens Negros e Pobres. Em nota, a PBH informou que várias secretarias trabalham de forma integrada em grupos de prevenção à letalidade juvenil. Até o fim de 2018, afirma o Executivo, será apresentado o Plano Municipal de Redução da Morte Violenta entre Jovens de 12 a 29 anos.