No combate a incêndios florestais, o dia de um brigadista tem hora para começar, mas não para acabar. Dependendo da extensão do fogo, alguns chegam à área em chamas no início da manhã e só vão embora na madrugada do dia seguinte. Mesmo com tantos riscos, os brigadistas – voluntários ou contratados – afirmam: vale a pena tanto esforço em prol da natureza.

É o que compartilha Alair Rangel, de 39 anos. Há quase dois, ele decidiu abandonar a vida de caminhoneiro para se dedicar ao combate de incêndios florestais. “Cansei do perigo da estrada. Sei que no meio do fogo também há riscos, mas o controle da situação está nas minhas mãos. Sem falar que é gratificante poder salvar a natureza, os animais”.

Morador de Rio Manso (região Central), Alair e a equipe de brigadistas que coordena na região de Manhuaçu começaram a combater nessa quinta-feira (16), às 7h, as chamas na Área de Proteção Ambiental (APA) Pedra Grande, em Igarapé. No local, tomou um café às pressas e foi cumprir a missão. No desejo de ver a situação controlada, não tinha almoçado até as 16h – a comida é acondicionada em marmitas térmicas, transportadas na caminhonete 4x4 que leva a equipe. “Pode ser tarde demais se pararmos 30 minutos. No mesmo tempo que consegue controlar um ponto, você tem que correr para outro”, frisou.

“É muito cansaço físico e mental. Além do esforço manual, é preciso estar concentrado. Há muitos riscos. Se o vento estiver a favor de nós, por exemplo, ele pode a qualquer momento virar. Se o combatente for pego de surpresa, pode se queimar”, reforçou o coordenador de projetos da Associação Mineira de Defesa do Ambiente (Amda), Fabrício Araújo.

Técnico agrícola, há quatro anos deixou o emprego numa loja de agroveterinária para ser brigadista – segundo ele, por convicção ambiental. Com a intensificação dos incêndios florestais em Minas, Fabrício tem trabalhado praticamente todos os dias. “É esforço de formiguinha e um enxuga-gelo. Você combate aqui, passa para outro ponto, tem que voltar. Neste ano fizemos mais combates que em anos anteriores”.

A grande quantidade de focos de incêndio também aumentou a demanda na base da ONG Terra Brasilis, no Jardim Canadá, em Nova Lima, na Grande BH. Os brigadistas que atuam no local também ajudam no combate do fogo no Parque Estadual do Rola-Moça, uma das áreas mais castigadas.

“Trabalhamos seis dias e folgamos dois. Se precisar de uma atuação mais complexa, não hesitamos em somar esforços”, disse o coordenador da base, Anderson de Freitas, de 51 anos.

Focos ainda preocupam na Serra do Cipó

Apesar de uma leve garoa ter ajudado a debelar boa parte das chamas na Serra do Cipó, na região Central, o fogo ainda preocupa os brigadistas, principalmente em um ponto conhecido como Alto Palácio.

Uma equipe passaria a madrugada acampada na região para monitorar as chamas. Nesta sexta de manhã, retomaria o combate ao fogo.

Nessa quinta-feira, uma aeronave e um helicóptero auxiliaram os trabalhos. Mais de 80 combatentes estiveram envolvidos no trabalho em solo.

Sepultamento

Ainda nessa quinta-feira (16), dois moradores de Carrancas, no Sul de Minas, foram sepultados. Considerados heróis pela população, morreram ajudando a combater um incêndio na serra do município. Paulo Carolino da Silva, de 54 anos, e Raimundo Ferreira Coimbra, de 48, não tinham curso de brigadista.

Um amigo deles, ferido no incêndio, continuava internado no Hospital de Pronto-Socorro João XXIII, em BH, em estado grave.

Previsão de 38°C no domingo

BH deverá registrar, no domingo, a maior temperatura dos últimos 104 anos, data em que começaram as medições do tempo na cidade. Segundo o Centro de Climatologia TempoClima PUC Minas, os termômetros podem chegar a 38°C, ultrapassando a marca histórica de 37,1º C, de outubro de 2012.

Antes, no sábado, também espera-se um novo recorde, mas do ano. A previsão é 37º C, ante os 36,2º C de quarta-feira.

Segundo o meteorologista Heriberto dos Anjos, a massa de ar seco estacionada sobre a região Sudeste, que impede o desenvolvimento de nuvens, só deve ser vencida na terça-feira, quando as temperaturas começam a cair.

Aulas suspensas por causa da seca

A prefeitura de Formiga (Centro-Oeste) determinou a suspensão das aulas nas escolas municipais a partir de segunda-feira. O motivo é a seca que atinge a cidade.

A falta de água levou o município a decretar estado de calamidade pública. A cidade adotou racionamento e
impõe multa a quem desperdiça água 

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