A Uber lançou nesta quinta-feira (24) a plataforma "Elas na Direção", que vai permitir, dentre algumas novidades, que mulheres motoristas tenham a opção de atender apenas passageiras do mesmo sexo. Já funcionando nas cidades de Campinas (SP), Curitiba (PR) e Fortaleza (SC), a novidade vai se estender a outras cidades do País em 2020, incluindo Belo Horizonte.

Batiza de U-Elas, a ferramenta, por enquanto, pode ser usada apenas pelas motoristas mas, segundo a Uber, no futuro também será opcional para as passageiras, que poderão escolher rodar só com motoristas mulheres. Na novidade lançada nesta quinta, a condutora pode acionar a opção de U-Elas e desativá-la a qualquer momento.

Atualmente, conforme dados do próprio aplicativo, a cada 100 motoristas da Uber, seis são mulheres, sendo que, de acordo com o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística, elas são hoje 52,4% do público em idade ativa, ou seja, que compõe a força de trabalho do Brasil.

Motorista mulher dirigindo um carro de aplicativoMulheres são apenas 6% da base de motoristas parceiros da Uber

A diretora geral da Uber no Brasil, Claudia Woods, diz que há vários entraves para que as mulheres sejam inseridas neste nicho do mercado de trabalho, dentre eles a falta de visibilidade e a insegurança. Segundo Woods, todas as pessoas do gênero feminino, independente do sexo de nascimento, serão contempladas.

"Para se sentirem mais à vontade, as motoristas agora podem optar por levar apenas usuárias que se identificam como mulheres, sejam cis ou trans. A ferramenta U-Elas pode ser ligada a qualquer momento e estará disponível exclusivamente para parceiras mulheres", afirmou.

Outra facilidade do programa "Elas na Direção" envolve uma parceria da empresa com a locadora de veículos Localiza. Nas cidades onde o projeto já funciona as motoristas vão conseguir acesso a um carro a custos reduzidos e sem a necessidade de cartão de crédito. Nas demais cidades, haverá um desconto de 10% para motoristas parceiras.

As mulheres novatas na Uber também terão uma garantia de R$ 1.500 nas 100 primeiras corridas pelo aplicativo, como forma de incentivo.

Regulamentação

No último dia 16, foi publicado no Diário Oficial do Município, um decreto do prefeito Alexandre Kalil que institui uma comissão para acompanhar a regulamentação da lei que impõe regras sobre o transporte de passageiros por aplicativos em Belo Horizonte. A comissão será formada por duas pessoas do Poder Executivo, dois representantes ligados ao serviço de táxi e transporte autônomo, além de dois motoristas por aplicativo.

A comissão não será remunerada. O grupo deverá acompanhar a regulamentação necessária para disciplinar o uso do sistema viário da cidade para aplicativos. Após este acompanhamento, deve elaborar recomendações à BHTrans.

Dentre as regras validadas pela lei de BH estão a proibição das viagens coletivas e o impedimento que motoristas abordem passageiros em casas de show, eventos, terminais rodoviários e aeroportuários, shoppings, supermercados, dentre outros pontos.

Conforme a legislação, os apps terão que ter autorização da BHTrans para operar em BH e também devem pagar uma taxa, chamada de preço público, para o município. O valor ainda não foi definido.

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