Poucas horas após o anúncio da paralisação dos metroviários de Belo Horizonte, nesta quarta-feira (19), alguns usuários do metrô da capital foram surpreendidos ao encontrarem portões fechados nas estações do transporte.

A greve, anunciada nesta terça-feira (18) pelo Sindicato dos Metroviários de Minas Gerais (Sindimetro), paralisou os serviços do metrô às 10h. Os trens circularam mais cedo, desde 5h15, para cumprir a determinação do Tribunal Regional do Trabalho de Minas Gerais (TRT-MG) de funcionamento de 100% das composições no horário de pico. As linhas voltam a operar às 16h.

Greve no metrô

Usuários encontraram portões fechados e reclamaram da falta de informação sobre a greve

A advogada Núbia Magalhães, de 34 anos, foi uma das usuárias surpreendidas pelo fechamento dos portões. "Eu vinha de Betim para BH e, por volta das 10h, cheguei à Estação Eldorado e os portões estavam sendo fechados". De acordo com ela, os funcionários informaram sobre a greve e disseram que os trens só voltariam às 16h. Ela conta que pagou R$ 24 para usar um aplicativo de transporte e chegar ao destino. "Tinha horário para cumprir".

A dona de casa Keila Gonçalves, 22, também foi barrada ao tentar embarcar. A moça contou que levava a irmã à Estação José Cândido da Silveira para que esta fosse ao trabalho, mas acabou tendo que voltar para casa com um carro de aplicativo para pegar um ônibus, descer no Centro e entrar em outro para ir a Sabará, onde trabalha. "Não ficamos sabendo da greve, foi anunciada muito de última hora e me atrapalhou bastante", explicou. 

Para Núbia Magalhães, todos têm direito de questionar melhores condições de trabalho, mas enquanto usuária regular ela acha que o metrô não atende a população de forma efetiva. "Cada governo entra e usa o metrô como 'moeda da vez' nas campanhas eleitorais e o serviço continua o mesmo. Ainda que seja um serviço não muito efetivo, é a única opção de muitos usuários", se posicionou a advogada, que afirmou não ter visto nenhum informativo sobre a greve na estação.

Procurada, a Companhia Brasileira de Trens Urbanos ainda não se manifestou sobre a situação do metrô nesta quarta-feira, mas, na terça, se posicionou solicitando a viabilização da adequação das linhas de ônibus no sentido de atender a demanda dos usuários vindos do metrô.

Escala mínima

Segundo uma determinação do TRT, o serviço do metrô não pode ser totalmente paralisado, tendo que funcionar pelo menos durante o horário de pico. Confira os horários:

De segunda a sexta:
Das 5h15 às 10h
Das 16h às 22h

Sábado:
Das 5h15 às 14h

Domingos e feriados:
Sem funcionamento

Além da determinação da escala mínima de funcionamento, o TRT também notificou a BHTrans, a Secretaria de Estado de Transportes e Obras Públicas (Setop) e a Autarquia Municipal de Trânsito e Transportes de Contagem (Transcon) sobre a escala do metrô para as devidas adequações nas linhas de ônibus. 

Reivindicações

Os metroviários determinaram a paralisação na noite dessa terça-feira após não verem avanço na negociação do acordo coletivo da categoria. Segundo o Sindimetro, a proposta final da empresa retira 10 cláusulas sociais e prevê aumento de 60% da inflação para 2018 e 50% da inflação para 2019.

Nesta quarta-feira, haverá negociação entre sindicatos e a CBTU no Rio de Janeiro. Na quinta-feira (20), os metroviários de BH mantém a escala mímina e se reúnem para avaliar o resultado da conversa e decidir se mantêm a greve ou se a interrompem.

Greve no metrô

Funcionários fecharam os portões das estações às 10h e só retornam às 16h

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