A Polícia Civil (PC) prendeu, nesta quarta-feira (19), parte de uma quadrilha especializada em adulteração de cervejas, em Contagem, na Região Metropolitana de Belo Horizonte. Aproximadamente 400 engradados de cervejas foram apreendidas e cinco suspeitos de integrar o bando foram presos. 
 
De acordo com o delegado Saulo de Tarso Gonçalves da Silva Castro, responsável pelo caso, as investigações tiveram início em outubro de 2013, quando oito pessoas foram presas e cerca de 600 engradados de cerveja apreendidos. A PC não calcula quanto o grupo já arrecadou com a prática, mas informou se tratar de um negócio milionário. 
 
O delegado explicou que os criminosos compram garrafas de cervejas mais baratas e retiram os rótulos e as tampas originais. No lugar, é colocado, então, rótulos de grandes marcas . O líquido da bebida não é modificado. “A quadrilha ganha na diferença que é colocada na hora de revender a bebidas para os comerciantes. Isso porque eles compram cervejas baratas e as repassam como se custassem mais caro”, explicou.  
 
Conforme Castro, está sendo feito um mapeamento dos comerciantes que recebem as cervejas adulteradas no Brasil. A polícia acredita que os comerciantes são todos de pequeno porte, suspeitos de receber a mercadoria sem nota fiscal ou com nota fiscal fria. Até o momento, já foi identificado que o grupo atua nos estados de São Paulo, Rio de Janeiro, Goiás, Tocantins e Espírito Santo, além de Minas Gerais. 
 
“A demanda que eles recebem é tão grande, que concluímos que outras quadrilhas especializada na mesma prática revende bebidas adulteradas para o grupo preso hoje”, disse o delegado. 
 
Quatro suspeitos foram presos em flagrante dentro do galpão usado para a prática criminosa, no bairro Darci Vargas. O outro suspeito foi preso em cumprimento ao mandado de prisão expedido durante a primeira fase da investigação, em 2013. Foram presos Arlon César Teixeira Malta, de 34 anos, Cláudio Teixeira Malta, de 26, e Eduardo Teixeira Malta, todos irmãos. Henrique Santos Melo, de 18 anos, e Deivison Martins Souza, de 20 anos, também foram presos e são apontados como funcionários da “empresa”. 
 
Castro informou que as investigações sobre o caso continuam, pois ainda há cinco mandados de prisão para serem cumpridos. Um deles seria do homem apontado como o líder da quadrilha. “A nossa investigação se restringe a Contagem, mas sabemos que há muitos casos semelhantes em toda Minas Gerais. Um dos membros da quadrilha presa hoje, por exemplo, tem envolvimento com grupos descobertos em Curvelo e Sete Lagoas”, afirmou o delegado.