Vans, micro-ônibus e até carros de passeio do transporte clandestino podem ser vistos com facilidade nas ruas de BH. Em um rápido giro pelas vias do hipercentro, a equipe de reportagem do Hoje em Dia flagrou vários motoristas atuando sem o menor constrangimento. Irregularidades também foram vistas em Contagem, na região metropolitana.

O principal ponto de concentração é nas ruas Rio Grande do Sul, Carijós e Tupinambás, no hipercentro da capital. Nesses pontos, foram encontrados oito veículos irregulares em menos de uma hora. A maioria das viagens tem como destino bairros de Ribeirão das Neves, Esmeraldas e Contagem. 

As passagens são mais baratas. Em uma simulação, do Centro de BH ao Trevo de Neves, na BR-040, o passageiro pagaria R$ 6. Já em um ônibus convencional, R$ 6,70. “É mais rápido do que você ficar esperando o vermelhão”, disse o motorista de uma van. 

Um comerciante, de 43 anos, contou que utiliza esses veículos, diariamente, para ir ao trabalho. “Além de economizar, consigo ir sentado e chego mais cedo em casa”, justificou o homem, morador de Neves. 

Em uma simulação, de BH ao Trevo de Neves, a pessoa pagaria R$ 6. Já em um ônibus comum, R$ 6,70

Próximo à Ceasa, às margens da BR-040, mais flagrantes. Lá, a maioria atua em carros de passeio. Os automóveis passam perto dos pontos de ônibus e oferecem os deslocamentos para Neves por até R$ 5.

Além disso
Diretor de fiscalização do DEER, Anderson Tavares explicou que, além dos trechos citados na reportagem, o terminal JK, em Lourdes, Centro-Sul de BH, e a praça da Cemig, em Contagem, são pontos com a presença constantes dos clandestinos. “O que percebemos é que, ao direcionar as equipes para esses lugares, o transportador migra para outros. Então, vamos ajustando nossas ações de acordo com as movimentações observadas”, afirma.

Ex-subsecretário de Regulação de Transporte de Minas e professor do Departamento de Engenharia de Transportes do Cefet, Renato Ribeiro reforça que não há segurança nas viagens sem regulamentação. “Você embarca sem saber por quanto tempo o condutor está dirigindo, sem saber a condição de pneus e freios e se há cinto de segurança”, afirma.

Por nota, a Polícia Militar garante que o policiamento ostensivo é empregado 24 horas por dia. Há operações feitas pelo Batalhão de Polícia de Trânsito ou em conjunto com a BHTrans, Guarda Municipal, DEER ou Agência Nacional de Transporte Terrestre (ANTT). Segundo a corporação, o uso da tecnologia também ajuda. A vigilância conta com câmeras que monitoram as ações no entorno de pontos de ônibus e nos principais corredores.

O Código de Trânsito Brasileiro não era tão rigoroso em relação à remoção dos veículos do transporte clandestino. Até o momento, o DEER-MG se baseava em uma lei estadual, que prevê a remoção dos veículos irregulares. No entanto, alguns condutores questionavam a medida, na Justiça, alegando a inexistência do reboque na norma federal