Barão de Cocais, na região Central mineira, vive semanas de instabilidade. Em estado de alerta desde março deste ano, a barragem Sul Superior teve, no mês passado, mais um agravante: uma provável queda do talude norte, da Mina de Gongo Soco. Desde então, agentes da Defesa Civil, do Estado e da cidade, reforçaram ações para simular um possível desastre e conscientizar os moradores. O clima, entretanto, não tem previsão para ser restabelecido no município de 32 mil habitantes.

Em entrevista coletiva nesta terça-feira, o coronel Evandro Borges, da Coordenadoria Estadual de Defesa Civil do Estado de Minas Gerais (Cedec-MG), informou que, apesar de não ter cedido no prazo previsto, o talude segue se movimentando. Ele também disse que estudos estão sendo feitos para identificar os prováveis estragos, e que, por isso, ainda não previsão para a que a Defesa Civil deixe a cidade.

"Hoje, a expectativa é que pode romper. Isso é certo, há possibilidade real. Mas, como vai se dar, não temos elementos técnicos para afirmar", afirmou. Segundo ele, pode ser que parte do talude fique acondicionado dentro da cava, sem que haja maiores danos, como extravasamento da água. Mas, conforme o coronel, também existe a possibilidade de que um desabamento causa uma vibração que sirva de gatilho para o rompimento da barragem. "Estamos trabalhando com o pior cenário para salvar vidas", disse.

Presença do governador

O governador Romeu Zema (Novo) esteve na cidade nesta terça-feira para visitar e acompanhar as atividades de proteção à população. O chefe do Executivo, durante a coletiva, defendeu que os problemas relacionados a barragens não foram causados em sua gestão. "Tudo o que tem acontecido em Minas foi construído nas últimas décadas. Se foi mal construído, não vamos conseguir eliminar esses problemas de um dia para o outro", criticou. 

Zema ainda garantiu que novos empreendimentos de mineração que possam atuar em Minas vão passar por orientações do Estado. "Não vai repetir os problemas que nós já assistimos em Mariana e em Brumadinho", disse o governador. "Em cerca de três a quatro anos pretendemos eliminar definitivamente esses riscos, porque as barragens vão ser descomissionadas, descaracterizadas", garantiu.

"Gostaria de anunciar isso no meu governo ainda, mas é um trabalho que vai levar anos. Porque é uma movimentação de material gigantesca e não tem como ser feita de um mês para o outro", disse o governador. 

Repasse ao município

Um dos temas tratados nesta terça-feira pelo governador Zema foi em relação à dívida do Estado com Barão de Cocais. Segundo o prefeito Décio Geraldo dos Santos (PV), falta repasse de aproximadamente R$ 14 mi. Mas, para a saúde a dívida é de R$ 5 mi. Durante esse período, o número de atendimentos na cidade aumentou e casos de crise de pânico e depressão refletiam o temor de rompimento de barragem. "Zema garantiu que teremos boas notícias nas próximas semanas", afirmou o prefeito.

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