A água que voltou a ser captada do rio Doce, em Governador Valadares, após contaminação pela lama da Samarco, é própria para consumo, garantem autoridades. Um tratamento à base de coagulante vem sendo testado desde quinta-feira e apresentou resultados positivos, conforme representantes do Serviço Autônomo de Água e Esgoto (SAAE).

De acordo com o diretor-adjunto do órgão, Vilmar Rios, um aditivo extraído da planta acácia-negra, produzido no Rio Grande do Sul, teve o “melhor efeito” no processo de separação da lama da água.

“Não existe risco à saúde. Esse produto é utilizado há mais de 20 anos e só não o usamos antes porque não tínhamos condições de adquiri-lo”, afirmou Rios, sem precisar valores, já que a Samarco é que está disponibilizando o anticoagulante para Valadares.

Uma fonte ouvida pelo Hoje em Dia, especialista em tratamento de água, fez os cálculos e chegou a um total aproximado de R$ 3.600 gastos diariamente pela mineradora, considerando que a vazão do rio Doce atualmente está em 2.800 metros cúbicos.

Segurança

Para o professor do Departamento de Engenharia Hidráulica e Recursos Hídricos da UFMG, Marcelo Libânio, o procedimento adotado pelo SAAE é correto e o mais simples, pois mantém a tecnologia do tratamento convencional, apenas com o diferencial da acácia-negra.

“Essa história de usar coagulante orgânico existe há uns 1.500 anos. Os egípcios já faziam isso. O produto não vai causar problemas”, assegura Libânio, que participou da reunião da Samarco com o Ibama no último domingo.

Na segunda-feira, a Secretaria Nacional de Proteção e Defesa Civil (Sedec), do Ministério da Integração Nacional, também reiterou a segurança do abastecimento de água no município, normalizado há dois dias.

“A medida foi adotada com base na redução do grau de turbidez e na análise realizada no laboratório da Copasa. O laudo da empresa registra que não há contaminação química por materiais pesados ou qualquer substância que impeça a utilização da água do rio Doce para o consumo humano”, disse a Sedec, em nota.

A água, ainda bastante avermelhada, é levada à estação de tratamento desde domingo, mas os valadarenses temem bebê-la. Mesmo com a garantia de especialistas, o Ministério Público Estadual (MPE) anunciou que mandará analisar amostras na Universidade Federal de Juiz de Fora (UFJF).

Os resultados serão divulgados com a “máxima urgência e segurança”, promete o MPE. O anúncio de que a água do rio Doce poderia ser tratada foi feito pelo governador Fernando Pimentel e pela prefeita Elisa Costa, no sábado. Segundo ele, análises da Copasa atestaram a inexistência de metais pesados.

O uso do coagulante é feito nos reservatórios do SAAE. O produto acelera a decantação do barro. Depois, a água segue para tratamento, explica o diretor da órgão, Omir Quintino, garantindo que a água é distribuída com 100% de qualidade.

EM DIREÇÃO AO MAR

A equipe do Ibama que se encontra em Mariana informou que vem acompanhando o deslocamento da lama composta pelos rejeitos da barragem rompida no município.

A chamada “pluma” se desloca a uma velocidade de 5 km por dia e ainda não atingiu a cidade mineira de Resplendor. A expectativa dos técnicos é a de que o uso de floculante consiga decantar os rejeitos de minério e evite que eles cheguem à foz do rio Doce, no Estado do Espírito Santo.

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