No transporte público, não basta ônibus confortável e pontualidade para atrair novos passageiros. É preciso infraestrutura. Em Belo Horizonte, quem se aventura a deixar o carro em casa para usar os coletivos pode se surpreender, negativamente, logo ao chegar ao ponto. Muitos abrigos estão com a cobertura danificada e nada protegem da chuva ou do sol forte.

Veja a opinião de passageiros sobre os abrigos no vídeo abaixo.

Ao longo das avenidas Cristiano Machado e Vilarinho, há muitas coberturas danificadas, alvo de vandalismo. Em frente ao Shopping Norte (Vilarinho), sobrou apenas o esqueleto do abrigo. O equipamento, de acordo com usuários, está assim há três meses. “A gente fica desprotegido. Não é só esse, vários pontos estão assim”, denuncia o motorista Ronaldo Simões, de 38 anos.

Ao lado da Estação São Gabriel, na Cristiano Machado, moradores improvisaram: instalaram banners e faixas para substituir a estrutura de proteção. Perto dali, ao lado do viaduto Hélio Pellegrino, a situação também é precária. “Já tomei muita chuva aqui. Eles colocam o forro e vem gente e destrói. Acho que falta a colaboração das pessoas”, diz a estudante Lorraine Souza, de 20 anos.

Centro-sul

Na alameda Ezequiel Dias, ao lado do Parque Municipal, passageiros aguardam a manutenção em um abrigo há dois anos. “Quando estava na faculdade, ficava aqui esperando ônibus e pegando chuva”, conta a demonstradora de cosméticos Luciana Soares, de 27 anos.

Situações incondizentes com um transporte público que, recentemente, recebeu mais de R$ 1 bilhão em investimentos na implantação do Move. Nessa busca pelo usuário do automóvel individual, diz Márcio Aguiar, professor de engenharia de transporte e trânsito da Fumec, oferecer abrigo é o mínimo que a prefeitura deveria fazer, tendo em vista a precariedade do sistema.

Burocracia

Duas licitações, uma para manutenção e outra para instalação de abrigos, estão longe de ser finalizadas. Uma delas, lançada em agosto, previa o reparo em 300 equipamentos, mas foi suspensa em setembro devido a falhas no edital.

Outra, para instalação de 1.300 novos abrigos, está em fase mais adiantada, mas a empresa vencedora não foi escolhida. A seleção, lançada em outubro do ano passado, foi suspensa duas vezes.

Os novos abrigos deverão substituir aqueles sem condição de reparo. Serão 1.100 do tamanho padrão, cem pequenos e outros cem exclusivamente para áreas de valor histórico. Segunda a BHTrans, a licitação está na etapa de análise de propostas.

Para associação, material é de baixa qualidade e não protege
 
Para a diretora da Associação de Usuários do Transporte Coletivo da Grande Belo Horizonte, Gislene Gonçalves dos Reis, o que falta é manutenção nos abrigos de ônibus. “Com esse tempo teve ventania. Eles acabaram deteriorando e não fizeram os reparos”, afirmou.

Ela critica a durabilidade do material utilizado nos equipamentos públicos, principalmente as coberturas que são feitas de material plástico (policarbonato). “É um dinheiro gasto a toa. Não tapa o sol nem protege da chuva, e a durabilidade é quase nenhuma”.

A diretora defende o uso de materiais mais resistentes, de metal, utilizados em alguns abrigos da cidade. “Tinham de ser mais amplos, fortes e duráveis”.

Para o usuário, afirma Gislene, a situação piora no fim de ano, uma vez que, com a redução do quadro de horário no período de férias, as pessoas ficam mais tempo no ponto esperando.

Silêncio

Questionada sobre a qualidade dos materiais usados, sobre a estrutura e a falta de manutenção dos abrigos de ônibus, a BHTrans não se manifestou sobre o assunto até as 18h dessa quarta (9).