Todos os dias, 18 mil toneladas de lixo domiciliar são recolhidas em Belo Horizonte. Deste total, menos de 1% vai para a reciclagem. Importante aliada na redução dos impactos ambientais provocados pelo descarte de resíduos sólidos na natureza, a coleta seletiva na capital ainda é incipiente. Apenas 7% dos 487 bairros são atendidos pelo serviço realizado porta a porta.

Chefe da Divisão de Coleta Seletiva da Superintendência de Limpeza Urbana (SLU), Vanúzia Gonçalves Amaral reconhece que o número é insatisfatório, sobretudo se considerada a quantidade de bairros e a parcela de pessoas atendidas pelo serviço.

“A meta da Política Nacional de Resíduos Sólidos é universalizar todos os serviços relacionados à coleta, tratamento e manejo. Nosso número, infelizmente, não é satisfatório e, por esse motivo, há uma meta sendo planejada para ampliá-lo”, afirmou a servidora.

A expectativa, no entanto, é, em até dois anos, saltar dos atuais 34 bairros atendidos pela coleta seletiva para um total de 60, menos que o dobro. Além disso, o planejamento inclui ampliar o número de Locais de Entrega Voluntária (LEVs) espalhados pela cidade: dos atuais 88 para 200, no mesmo prazo.

Para o engenheiro civil Raphael Barros, professor do Departamento de Engenharia Sanitária e Ambiental da UFMG, o baixo alcance dos serviços de coleta realizados em Belo Horizonte está relacionado à falta de uma política de gestão de resíduos bem estruturada. Segundo ele, falta vontade dos governantes.

“Esse não é um problema tecnológico, nem de recursos, mas de falta de vontade de fazer mais e direito. É irracionalidade econômica não aproveitar todo o potencial que nossos resíduos, ou melhor, recursos, têm”, afirmou.

coleta seletiva de lixo ainda é tímida em belo horizonte

Crédito: Editoria de Arte/ Hoje em Dia

SEMANALMENTE

Atualmente, todo o lixo reciclável recolhido das casas, em dias específicos determinados pela SLU, é destinado a sete associações e cooperativas de catadores, onde atuam em torno de 300 deles.

Moradores dos 453 bairros onde os resíduos domiciliares reaproveitáveis – papel, plástico, vidro e metal – não são coletados, têm a opção de fazer o descarte correto nos LEVs. Nas nove regionais da cidade são 278 contêineres, específicos para cada tipo de material, distribuídos por 88 locais.

A remoção do resíduos varia conforme o local e é baseado na produção de material. Na Pampulha, região mais atendida, o trabalho é feito duas vezes por semana.

Lixo eletrônico no lugar certo

Materiais eletrônicos como computadores, cabos e fios também devem ser descartados adequadamente. Nos próximos dias 29 e 30, quem tiver algum tipo de item como esses em casa poderá depositá-lo em um estande na Escola de Engenharia, no campus Pampulha da UFMG, e trocar os materiais por um voucher da Azul Linhas Aéreas no valor de R$ 50.

A campanha de recolhimento de lixo eletrônico é uma iniciativa da Mult Jr, empresa júnior dos alunos de Engenharia Química da universidade.

O descarte poderá ser feito das 10h às 16h.