A ampliação da coleta seletiva para toda a população de Belo Horizonte deve ter um custo de até R$ 115 milhões anuais, e só deve ser alcançada em 2036. Essa é a estimativa do Plano Municipal de Gestão Integrada de Resíduos Sólidos de Belo Horizonte (PMGIRS-BH), lançado ontem pela Superintendência de Limpeza Urbana (SLU).

No entanto, ainda não há previsão da origem dos recursos, e a prefeitura precisará buscar parcerias para alcançar a meta. Serão fundamentais para o sucesso do plano a participação da indústria e do governo federal, para ajudar a pagar a conta, e também da população, para garantir adesão ao programa. 

A proposta é que 100% da cidade seja atendida por algum mecanismo de coleta seletiva, e isso envolverá uma mudança no comportamento das pessoas. Uma parte da coleta será na porta de casa do cidadão, e outra em um ponto a até 200 metros de distância. Atualmente, a cobertura da coleta seletiva em Belo Horizonte é de 15%, no sistema porta a porta.

Mudança radical
A estratégia envolve a diminuição do serviço nas casas das pessoas para 10%, até 2036. Ao mesmo tempo, será aumentada a participação dos recipientes coletores de materiais recicláveis, de forma voluntária, para 90%. “É uma mudança bem radical. Por isso, a gente está tendo muito cuidado ao falar. Mas é importante lembrar que o plano vai ser revisto a cada quatro anos”, afirma a engenheira sanitarista e coordenadora do grupo técnico de trabalho para supervisão da construção do plano de resíduos sólidos, Patrícia Dayrell.

Funcionária da SLU desde 1992, ela destaca que um dos desafios é conseguir melhorar o sistema de recepção dos materiais recicláveis. “A destinação para os reciclados hoje é com baixa tecnologia, então temos que otimizar essas unidades de tratamento. Ter centrais de alta tecnologia, e principalmente unir esforços com o governo do estado e a nível metropolitano para atrair indústrias recicladoras. É preciso aliar essas ações para ampliar o serviço”, avalia.

Para o engenheiro sanitarista Hiram Sartori, o cronograma da ampliação do serviço é tímido, mas é um bom começo. “A coleta seletiva em Belo Horizonte sempre foi muito incipiente. Achei uma meta muito conservadora. Mas é melhor do que não ter, porque tendo isso vai ser possível aferir se é pouco ou se é muito. Essa mudança está atrasada, mas que bom que está acontecendo”, enfatizou.

Segundo o engenheiro sanitarista Hiram Sartori, a coleta seletiva ainda é muito cara e a venda dos materiais não compensa. Por isso, implementar o serviço ainda é um desafio e requer recursos extras

Reciclagem 
Atualmente, de todo o resíduo sólido domiciliar recolhido pela SLU em Belo Horizonte, apenas 1,08% é reciclado. 
Apesar de pretender universalizar o atendimento à coleta seletiva até 2036, a SLU estima que só será possível reciclar 11,3% do lixo da cidade.
 

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