Um dia após a Superintendência Regional do Trabalho e Emprego de Minas Gerais (SRTE–MG) proibir garis pendurados na traseira dos caminhões, ruas da capital amanheceram ontem repletas de lixo, “armadilhas” capazes de entupir bueiros durante as chuvas, potenciais criadouros para o mosquito Aedes aegypti e montes que causam mau cheiro e provocam doenças. 

Ao ser notificada da decisão, na segunda-feira, a Superintendência de Limpeza Urbana (SLU) suspendeu o serviço. Só no fim do dia de ontem é que o imbróglio começou a ser resolvido. 

Em reunião na SRTE, ficou acertado que a Prefeitura de Belo Horizonte (PBH) apresentará um plano de segurança para o deslocamento dos garis nos veículos. A Justiça do Trabalho, por sua vez, deu 30 dias para que o Executivo se adeque às normas. Em caso de descumprimento, haverá multa diária de R$ 5 mil. 

A SLU garantiu a retomada da coleta ainda na noite de ontem. A suspensão do serviço, porém, causou transtornos. Moradores fizeram 132 reclamações na central do BH Resolve por conta das ruas sujas. O número é bem acima das queixas na Ouvidoria sobre problemas no recolhimento de lixo na cidade: apenas uma por dia.

Uma das ligações de ontem foi da aposentada Joana d’Arc Anunciação, de 60 anos. Segundo ela, o lixo no bairro Parque São Pedro, em Venda Nova, deveria ter sido recolhido até as 22h de segunda-feira. “Os sacos atrapalharam a passagem de pedestres. Liguei duas vezes para o 156, mas a gravação dizia que eu seria atendida em cinco minutos, e nada. Desisti”. 

Para evitar contaminação, o engenheiro sanitarista Hiram Sartori orienta o morador a deixar o resíduo em casa até a normalização do recolhimento. “O material deve ser recolocado na rua na data certa”.

Segurança

A proibição do transporte dos garis no estribo dos caminhões foi tomada após auditores fiscalizarem, em outubro, as condições de trabalho em três empresas responsáveis pelo serviço na capital. Em 11 de novembro, três funcionários se feriram após o eixo se soltar de um veículo em BH, o que preocupou ainda mais os fiscais. Porém, não há dados sobre acidentes com os coletores na capital.

O transporte dos trabalhadores nos estribos é feito há 30 anos na cidade. Não há lei que regulamente a prática, e o Código de Trânsito Brasileiro prevê como infração o transporte de pessoas, animais ou carga na parte externa dos veículos sem autorização. 

Em nota, a PBH informou que se adequará as normas técnicas e operacionais para a segurança dos garis. A reportagem tentou contato com as três empresas de limpeza urbana da capital, mas ninguém retornou as ligações até o fechamento desta edição.

Outras capitais

Em 2014, Florianópolis (SC) teve que adotar alternativas para o transporte de garis, após proibição semelhante à de BH. Hoje, os funcionários são levados de vans até os bairros. O estribo só é utilizado durante a coleta.

Há sete meses, Aracaju (SE) também teve que se adaptar. Os trabalhadores são levados em vans e micro-ônibus até os pontos de coleta e não se deslocam com o caminhão para o aterro. Além disso, a empresa que presta o serviço na cidade adquiriu 20 caminhões com cabine adaptada para transportar cinco garis.