Foi uma demonstração de maturidade a aprovação, pelos vereadores de Belo Horizonte, por 36 votos, do projeto de lei que vai possibilitar a ampliação de leitos hospitalares na capital mineira. O Hoje em Dia, que promoveu uma intensa campanha em favor do projeto, se sente gratificado pelo resultado da sessão presidida nesta quinta-feira (6) pelo vereador Wellington Magalhães, da qual se ausentaram dois vereadores, sendo que somente um se absteve de votar.

O projeto foi apresentado em abril deste ano pela Prefeitura e necessitava, para ser aprovado, de 28 votos. O jornal vinha acompanhando a tendência de voto dos 41 vereadores. No início desta semana, havia 32 a favor, dois contra e sete indecisos. A maioria destes últimos se convenceu de que era necessário aumentar o coeficiente de aproveitamento construtivo dos hospitais, para que eles pudessem oferecer à população cerca de mais 3 mil leitos. O aspecto da saúde da população prevaleceu, neste caso, sobre considerações também importantes, como a proteção ambiental.

A maior polêmica envolveu o antigo hospital Hilton Rocha, no bairro Mangabeiras, vizinho de mansões. Alguns moradores reagiram, alegando que a ampliação do hospital prejudicaria a visão da Serra do Curral. Essa serra é tombada pelo Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico e Nacional, que considerou adequado, ao responder consulta feita pelo Ministério Público, o projeto arquitetônico do Oncomed Centro de Prevenção e Tratamento de Doenças Neoplásticas Ltda, novo proprietário do edifício a ser ampliado.

O prefeito Marcio Lacerda conseguiu uma vitória importante na Câmara de Vereadores, ao ver aprovado, em menos de dois meses, o projeto. Está de parabéns. Infelizmente, não se pode dizer o mesmo do ritmo de construção do hospital do Barreiro, uma das promessas mais relevantes de suas campanhas eleitorais. A obra prossegue em ritmo bem mais lento do que seria necessário para suprir a escassez de leitos.

Talvez seja o momento de o prefeito analisar se alguns dos mais de cem terrenos que a prefeitura quer vender não seriam adequados para a construção de mais hospitais. Marcio Lacerda tem excelente entrosamento com o governador Antonio Anastasia, que poderia também oferecer incentivos nessa área. Do mesmo modo que o Estado, no passado, doou terrenos para a construção de uma fábrica de automóveis, por que não fazer o mesmo para a construção de hospitais pela iniciativa privada?