Aliar saúde e bem-estar, sem deixar de lado a socialização, explica o motivo pelo qual as academias a céu aberto, implantadas em Belo Horizonte nos últimos cinco anos pela prefeitura, caíram no gosto de milhares de moradores, principalmente no dos idosos. Apesar de não contar com profissionais permanentes para orientar a prática de exercícios físicos, esses espaços estão em franca ampliação. Atualmente, 252 academias do tipo oferecem 12 variedades de aparelhos de ginástica. A meta é chegar a 490 unidades nos próximos dois anos.

Apesar de terem sido planejadas para todas as faixas etárias, foram os idosos que se tornaram os principais adeptos das academias a céu aberto. “Os equipamentos são de baixo impacto, pensados como uma forma de estimular a população a sair do sedentarismo e começar a fazer atividades físicas. Hoje, elas são bem frequentadas por pessoas mais velhas, também tornando-se um espaço de convivência”, comenta o assessor da Secretaria Municipal de Esporte e Lazer (Smel), Marcello Araceli.

Entre os frequentadores assíduos está a esteticista Águeda Fernandes, de 70 anos. Todos os dias, às 9h30, ela sai de casa no bairro Sion (zona Sul) e segue para academia a céu aberto instalada na Praça JK. Por lá,
Águeda permanece por cerca de uma hora e meia. Primeiro, ela toma banho de sol por cerca de meia hora. Nos 40 minutos seguintes, caminha pela pista de cooper, e o tempo restante se dedica a utilizar os equipamentos disponibilizados gratuitamente.

“Estava com muita dor no ombro. Comecei a fazer duas séries de 20 repetições no aparelho de rotação vertical. Hoje estou bem melhor. Só não venho se estiver chovendo, mas até no sábado e no domingo estou aqui”, afirma. A forma correta de realizar os exercícios foi orientada pela filha de Águeda, que é advogada e educadora física.

Inclusive, a falta de profissionais para informar os usuários sobre como utilizar os equipamentos corretamente é sentida por especialistas. Porém, a ausência não apresenta riscos. “Nenhum dos aparelhos provoca lesão se for executado no limite e na intensidade próprios para cada pessoa. A recomendação é que o usuário comece devagar até se adaptar ao movimento físico”, diz o educador físico e consultor em saúde e bem-estar Sebastião Paulino.

A própria Secretaria de Esportes e Lazer observa que os aparelhos foram escolhidos a partir de critérios de fortalecimento de grupos musculares, de forma que os exercícios tenham efeito sem prejudicar a saúde.
Uma equipe composta por até seis profissionais faz rodízio diário nas unidades instaladas, principalmente nas que estão sendo inauguradas, onde passam orientações aos usuários.

O projeto é aprovado pelo professor de educação física e estudante de medicina André Arruda Antunes, de 37 anos. “É um incentivo a mais para a prática de esportes. A falta de monitor não desconsidera a utilização do espaço, mas ele seria melhor aproveitado se houvesse orientação adequada”, reforça.

 

Troca

Após 14 anos como aluna de uma academia particular, a cafeicultora Márcia Malagoli, de 65 anos, revela que se apaixonou pela atividade ao ar livre há cerca de quatro anos. Após retornar de uma viagem, ela queria voltar ao ritmo de atividades físicas, mas não animou frequentar novamente as aulas.


“Passei a vir à praça, conheci os equipamentos e gostei. Para mim, é mais uma terapia. O cenário da Praça JK e o verde do local complementam minha busca por bem-estar”, comenta.


“Na academia fechada, o aluno não tem um espaço para relaxar após os exercícios. Já ao ar livre, você faz a série e contempla a beleza do espaço”, diz o estudante Paulo Veríssimo, de 22 anos.

 

Caminhada

As academias a céu aberto mais frequentadas são as que contam com pistas de caminhada, como a da Praça JK e a da avenida José Cândido da Silveira, no bairro Santa Inês (Nordeste). 

“Os usuários complementam as atividades com os equipamentos, fazendo alongamentos”, explica o assessor da Secretaria de Esporte e Lazer, Marcello Araceli.