A possibilidade de redução no orçamento da saúde pode comprometer o Serviço de Atendimento Móvel de Urgência (Samu), alerta o Sindicato dos Servidores Públicos Municipais de Belo Horizonte (Sindibel). Com a expectativa de corte de R$ 3,5 bilhões, o temor é que haja um retrocesso no serviço de urgência e emergência.

Os efeitos da medida podem ser imediatos no Samu e atingem, principalmente, a manutenção e o investimento em novos equipamentos, destaca o sindicato. “Nosso maior problema é a morosidade na manutenção das viaturas e a troca de equipamentos obsoletos, afetando a qualidade e o tempo de resposta no socorro do paciente”, afirma a integrante da diretoria de saúde do Sindibel, Inês de Oliveira.

A porta-voz observa que o Samu atende a uma grande demanda de urgência e emergência. “Precisamos de investimentos, não de corte. Sem recursos para a manutenção dos equipamentos, o auxílio à população ficará prejudicado”.

FUNDOS

Em Belo Horizonte, o custeio mensal do Samu é de R$ 3 milhões. Desse total, R$ 470 mil são repassados pela União e R$ 202 mil pela Secretaria de Estado de Saúde (SES). Os valores, de acordo com a prefeitura, são utilizados, entre outras coisas, para a manutenção do serviço, insumos e pagamento à empresa responsável pela gestão das ambulâncias.

Por ainda se tratar de uma possibilidade, a SES informou, por meio de nota, que “ não tem como se pronunciar no momento”. Questionada sobre o possível corte de verba no próximo ano, a Secretaria de Saúde da capital mineira disse, em nota, que não houve redução de recursos para o Samu em 2015.

ESTRATÉGIA

Para amenizar a situação, o Sindibel afirma que a prefeitura precisa se planejar e adequar o Samu. Uma das alternativas, por exemplo, seria tirar a frota das mãos de empresa terceirizada e manter viaturas próprias.

“Caso contrário, não havendo planejamento, os efeitos serão danosos à população, significando um retrocesso na saúde da Grande BH, onde o Samu está presente”, reforça Inês.

Investigação

Conforme o Hoje em Dia mostrou em agosto último, o serviço prestado pelo Samu na capital mineira é alvo de investigação da Promotoria de Defesa da Saúde do Ministério Público Estadual (MPE).Desde o início do ano, após uma denúncia, o órgão investiga as condições de atendimento prestado à população na cidade.

Há queixas de falta de viaturas, demora na manutenção de ambulâncias e em equipamentos estragados, além da falta de higienização dos aparelhos.O MPE solicitou à Vigilância Sanitária Municipal informações sobre as unidades.

Porém, a prefeitura não respondeu aos questionamentos, cujo prazo findou no mês passado. Agora, a promotoria estuda quais as medidas serão tomadas.

486 municípios em Minas Gerais contam com o atendimento de urgência e emergência realizado pelo SAMU