Um dos primeiros blocos do chamado reflorescimento do Carnaval de rua de Belo Horizonte, o Bloco do Peixoto desfilou no bairro Santa Efigênia, na Zona Leste, pela 11ª vez nesta terça-feira (5). Misturando marchinhas e ritmos diversos, o cortejo começou por volta de 12h30 e foi marcado pela irreverência e pela contestação política.
 


​Foram várias as músicas e fantasias que criticavam o governo Bolsonaro e pediam a liberdade do ex-presidente Lula. O técnico de manutenção Paulo de Tarso Vieira, 43, estava fantasiado de "laranja do PSL", em alusão ao escândalo envolvendo o ex-ministro Gustavo Bebiano. "Carnaval sempre foi lugar de expor suas ideologias e convicções políticas. As pessoas que são da classe operária estão na rua para explicar seus anseios às outras categorias, com alegria e sem agressividade", defende.

A socióloga Isadora Eisele, 26, concorda que Carnaval também é lugar de política. "Principalmente no momento difícil em que estamos vivendo, esta é a hora de colocar na rua o que pensamos, de forma firme e segura", defende. "O próprio Carnaval, quando colocamos as regras em suspensão, é um ato político. É uma decisão coletiva muito importante. Afinal, na quinta-feira voltamos ao Estado de Exceção que estamos vivendo", assinala.

Para o professor Ivan Gontijo, 36, deve haver espaço para todos na folia. "O Carnaval tem que ser livre para as pessoas se manifestarem do jeito que elas quiserem, independente de partido ou posição política", diz, ressaltando que é a terceira vez seguida que curte a festa no Peixoto. "Para mim, os blocos sem trio, no chão, com bateria aberta, são o modelo mais democrático de curtir o Carnaval", pontua.

 

Bloco do Peixoto

Com muita criatividade, foliões fizeram a festa no Bloco do Peixoto 


História

Criadora do Peixoto, ao lado de seu companheiro, Nian Pissolati, Elisa Marques lembra que o bloco foi um dos primeiros da renovadora safra de 2009, quando também surgiram Tico Tico Serra Copo e Aproach. "É um bloco de um casal, de uma história de amor, e por isso talvez muita gente se identifique tanto. Já ouvi várias pessoas dizendo que o Peixoto é o bloco do coração", afirma.

Para a arquiteta, de 36 anos, o Peixoto é um bloco plural, que carrega o componente político mesmo antes da Praia da Estação. "Não tínhamos essa consciência em 2009, mas já havia uma pulsão em todos nós. Assim que surgiu a Praia, aderimos imediatamente", relembra. "Apesar de o Peixoto ser um bloco família, como as pessoas costumam dizer, é de família que respeita a liberdade, que acolhe o outro, que respeita as diferenças".