Um boato de que poderia haver um arrastão na Feira de Artes, Artesanato e Produtores de Variedades de Belo Horizonte, a Feira Hippie, assustou expositores e visitantes. Muitos desmontaram as barracas mais cedo, com medo de ações violentas.
 
Um homem, que se identificou como funcionário da Prefeitura de Belo Horizonte (PBH), disse que havia informações de que aproximadamente 150 pessoas iriam protestar na Feira. Frequentadores e feirantes abordaram a equipe de reportagem várias vezes, em busca de informações concretas. 
 
A sala de imprensa da Polícia Militar (PM) informou que recebeu a denúncia anônima sobre uma possível manifestação no local, e alertou aos policiais que estavam por lá, mas eles não constataram confusões. 
 
Mesmo assim, por volta das 11h, feirantes recolhiam as mercadorias. “Muita gente está indo embora, principalmente os feirantes mais velhos, com medo”, disse um dos fornecedores de materiais, José Santos.
 
“Fiscais da prefeitura e policiais nos disseram que o povo ia descer para a Feira e que eles não iam conseguir controlar. Muitos expositores foram embora chorando”, contou Cleusa Maria, que vende almofadas na Feira e, ontem, encerrou as atividades horas mais cedo. Já a feirante Maria Mercedes Sampaio não quis perder o dia de vendas, mas chamou o marido para protegê-la. 
 
Geraldo Nestor Dias, gerente de uma loja de bijuterias na avenida Afonso Pena, ouviu boatos de arrastões e quebradeira e registrou movimento 80% menor. “Os clientes estão com medo de vir ao Centro nos últimos dias”, afirmou.
 
O turista japonês Rui Akimoto, de Tóquio, do Japão (Tóquio), estava em Belo Horizonte para assistir ao jogo Japão e México, no sábado. Ele estava com medo do rumo violento que as manifestações têm tomado. "A cidade é maravilhosa, mas tive medo dos protestos. Acho isso muito ruim para os turistas e para a população. Fiquei com um pouco de medo de sair algumas vezes e evito passar por onde fico sabendo que há manifestações" disse ele, que chegou de São Paulo. 
 
A PBH informou que fiscais, como medida preventiva, atuaram orientando os expositores quanto à liberação dos corredores “para evitar quaisquer transtornos em função do possível aumento do volume de pessoas”, em consequência das recentes manifestações. A prefeitura ratificou ainda que não disseminou informações sobre um possível arrastão na Feira Hippie.
 
Violência
 
Ao longo da semana, quando tiveram início as manifestações, foram presas 50 pessoas. Após o confronto do último sábado a polícia acredita que o movimento irá perder força. No entanto, não descartou a possibilidade de novos conflitos na próxima quarta-feira (26), quando o Brasil joga em BH, no Mineirão, pela Copa das Confederações.
 
Por precaução, a polícia informou que irá solicitar que a prefeitura retire da avenida Antônio Carlos todo material de resto de construção, que possa servir como arma para os vândalos, que mais uma vez podem se infiltrar no meio dos manifestantes.
 
O esquema de segurança será reavaliado para a quarta-feira, quando o efetivo deve ser intensificado. Mas a polícia não adiantou o que será feito para não atrapalhar o andamento do trabalho.