O zoológico de BH ganhou novos habitantes em 2015. Além dos animais que chegaram de outros estados, fêmeas de variadas espécies deram à luz a filhotinhos que se tornaram o xodó do público.

Entre os mamíferos, o destaque é para o nascimento de um gato-palheiro. Foi a primeira vez que o felino brasileiro se reproduziu na capital. Até 2013, aliás, a Fundação Zoo-Botânica sequer tinha um exemplar da espécie.

“Conseguimos formar o casal no ano passado, com uma fêmea que veio do Ibama e um macho emprestado de São Paulo”, conta Valéria Pereira, bióloga e responsável pela seção de mamíferos. Mas os animais não ficaram juntos imediatamente. A princípio, foram colocados em recintos vizinhos até que se acostumassem com o cheiro um do outro.

A estratégia deu certo. Assim que começaram a dividir o mesmo espaço, no fim de 2014, veio a notícia da gravidez da fêmea. O gatinho-palheiro nasceu em 20 de fevereiro.

Mas Belo Horizonte não será a casa do pequeno felino por tanto tempo. “O contrato feito com o zoológico de São Paulo previa que a primeira cria fosse enviada para lá”, explica Valéria. De qualquer forma, não há motivos para tristeza. Como o casal se acertou muito bem, ela está certa de que, em breve, novos filhotes chegarão.

Um macho de tamanduá-bandeira – que se recusa a deixar as costas da mãe – também nasceu em 2015, aumentando para dez o número de indivíduos da espécie no zoo. Com apenas quatro meses e meio de vida, ainda mama e não teve o nome escolhido.

Como a família de tamanduás-bandeiras de BH já está grande, Valéria adianta que alguns animais serão colocados em uma lista de excedentes para ganhar novo lar, no Brasil ou em qualquer lugar do mundo. O intercâmbio é importante para a preservação da fauna, explica a bióloga.

Com nascimento de animais no zoológico de BH, vida no parque se multiplicou em 2015

BUGIO – Filhote da espécie de primata é um dos mais novinhos do Zoo; o bebê tem dois meses de vida


Primatas

Espécie endêmica do Brasil e ameaçada de extinção, dois novos micos-leões-dourados, de apenas dois meses, enchem os olhos dos visitantes. Já são onze da espécie vivendo no zoo.

Como os filhotes ainda são muito pequenos, estão entregues aos cuidados das mamães. Nem mesmo os funcionários do Zoológico se aproximaram para descobrir o sexo dos novos moradores. Assim como acontecerá com os tamanduás-bandeiras, Valéria já sabe que alguns membros serão transferidos.

Outro primata que chegou ao mundo em 2015 foi um bugio. Acostumada com outras crias, a mãe, bastante experiente, se mostra bem tranquila com o bebê, que tem apenas dois meses de vida.


Próximos Nascimentos

A expectativa da Fundação Zoo-Botânica é que, antes de dezembro chegar ao fim, nasça um filhote de cervo-dama, animal vindo da Europa. E no começo do ano que vem, o zoo já deve ser presenteado com um novo oryx, espécie de antílope africano.

 

Com nascimento de animais no zoológico de BH, vida no parque se multiplicou em 2015

GATO-PALHEIRO – Neste ano, pela primeira vez, o felino se reproduziu em Belo Horizonte

 

Com nascimento de animais no zoológico de BH, vida no parque se multiplicou em 2015

GROU COROADO – Ave ornamental foi uma das espécies que ganhou novos membros no Zoo em 2015

 

Com nascimento de animais no zoológico de BH, vida no parque se multiplicou em 2015

MICO LEÃO DOURADO – Espécie típica do Brasil tem onze membros em BH; dois nasceram há dois meses

 

Com nascimento de animais no zoológico de BH, vida no parque se multiplicou em 2015

MARRECO DE ANEL – Nascimento das aves em cativeiro no Zoo é bem sucedida; reprodução acontece por demanda

 

Animais ‘solteirões’ do Zoo de BH estão na fila por um par

 

Assim como o nascimento de um animal é festejado na Fundação Zoo-Botânica, a formação de novos casais também é motivo de alegria. É a chance de reproduzir alguma espécie e, assim, contribuir para a preservação da fauna. Para 2016, a expectativa no Zoo de BH é a de que pelo menos três mamíferos encontrem um par.

Três fêmeas de guicó, primata endêmico da Mata Atlântica, estão “encalhadas”. “Já reproduzimos bastante essa espécie por aqui. Estamos torcendo para conseguir um macho no próximo ano”, diz a bióloga Valéria Pereira.
Entre os cuxiús, macaco de pelagem escura, o problema é o oposto: o zoo está à caça de fêmeas para formar novos casais.


Lobo-Guará

E no que depender do esforço da Fundação Zoo-Botânica, a solidão do lobo-guará não durará muito tempo “Também procuramos uma companheira para ele”, afirma a gerente da seção de mamíferos.


As cores e os cantos das aves atraem visitantes aos recintos

As aves podem até não fazer tanto sucesso entre a maior parte do público. Mas o harmônico canto de algumas espécies e a bela coloração das penas desperta a atenção de estudiosos e artistas, que fazem questão de visitar os recintos quando vão ao Zoológico de Belo Horizonte.

Neste ano, 26 novos indivíduos vieram a somar à população que já morava na capital. Quatorze deles transferidos por instituições e, outros 13, nascidos em cativeiro.

A eclosão de três ovos de grous-coroados foi uma das mais comemoradas. O casal já estava junto há bastante tempo, mas o “namoro” não engatava, conta a bióloga Ângela Faggioli, gerente da seção de aves.

Sem esperança, a Fundação Zoo-Botânica chegou a cogitar a possibilidade de trocar um dos animais. Não foi preciso. A espécie de plumagem branca e cinzenta e crista amarela acabou se entendendo e gerando os três filhotinhos.

Outro recinto que ficou com cara de berçário foi o do tiriba-de-orelha-branca, espécie brasileira que integra a lista de animais ameaçados de extinção. Nada menos que quatro filhotinhos chegaram ao mundo em 2015. Também nasceram em cativeiro um marreco de anel e três curicas-esfumaçadas.

“O público não consegue distinguir muito bem um filhotinho de ave. Eles passam muito tempo no ninho e quando se arriscam a sair, já estão grandes e com penas”, explica Ângela.


Grande porte

Entre as aves de grande porte, a atenção é toda para as emas. Com pouco mais de três meses, os quatro filhotes que estão em um setor extra do zoológico, fora da área de visitação, recebem os cuidados dos profissionais da Fundação.

A comemoração pelo nascimento poderia ser ainda maior, não fosse a perda de sete ovos. No entanto, a bióloga que cuida das aves garante que os óbitos são considerados normais dentro da característica da espécie.

“É como se fosse um controle natural, pois as emas fazem muitas posturas, botando em média de 10 a 12 ovos, e cada macho pode manter uma colônia de 3 a 9 emas fêmeas”, explica.