No primeiro dia de aumento do preço das passagens do metrô, a Estação Vilarinho, na região de Venda Nova, em Belo Horizonte, está esvaziada e os passageiros indignados. Segundo usuários e comerciantes do local, o movimento está bem menor do que o esperado para uma sexta-feira (11).

A tarifa, que estava congelada há 12 anos, saltou de R$ 1,80 para R$ 3,40, um crescimento de 89%. A vendedora Cláudia do Rosário, de 50 anos, desceu até a plataforma aos gritos: “É um absurdo esse preço alto com essas condições ruins”, afirma. “Não houve ampliação do atendimento, nem do conforto, [o aumento] não se justifica”, argumenta.

Assim como Cláudia, a maioria dos usuários considera o aumento abusivo por acreditar que o valor cobrado pela passagem não é revertido para melhorias no transporte público. A dona de casa Juliana Quintão, de 35 anos, acredita que é preciso reajustar a tarifa, mas reclama que a alteração foi “exagerada”. “Realmente, a gente entende que o preço precisa mudar, mas o valor quase dobrou. A infraestrutura é péssima, quando preciso entrar com minha filha pequena quase sempre vamos esmagadas. Não aumentou o número de estações, só a taxa mesmo”, alega.

Os problemas começam logo na compra de bilhetes. Sem se identificar, a reportagem pediu dois tíquetes e entregou dez reais à vendedora. Ela questionou se não havia dinheiro trocado, porque as moedas do caixa estavam acabando. “Está difícil, uma hora não vai ter troco”, disse.

Na entrada, pelo menos seis seguranças circulavam pela estação Vilarinho.

A vendedora Bruna Alves, de 29 anos, trabalha em uma banca de salgados dentro da estação. O movimento, segundo ela, foi pequeno e as vendas baixas. “Desde 5 horas só vendemos 14 coxinhas. Acho que as pessoas deixaram de vir por causa da passagem cara”, observa. Ela teme que o fluxo pequeno prejudique a saída de produtos. “Não acho que chegaremos a fechar, mas a gente fica com medo de perder o emprego por algo assim”.

Troca

Quem opta pelo metrô por ser um transporte mais barato está começando a reconsiderar a decisão. É o caso do estudante e auxiliar de suporte de tecnologia de informação Lucas Carvalho, de 22 anos. O rapaz usa os trens para ir tanto ao trabalho quanto à faculdade.

“Só tenho vale transporte para o trabalho. Agora que ficou caro, acho que vou passar a ir para a aula de ônibus. É só um pouco a mais, mas passa na porta da minha casa. Não está compensando caminhar até aqui para pagar o mesmo tanto”, afirma.

O comerciante Luiz Carlos Cipriano, de 50 anos, já está recalculando as contas mensais. A alta no preço as passagens representa um gasto de R$ 70 a mais no orçamento. Ele recebe vale transporte, mas repassa o cartão para a esposa, que não tem o benefício. “Ela precisa ir de ônibus para o trabalho, então estava pagando do meu bolso o metrô justamente por ser mais barato. Agora vai ficar mais apertado. Tenho medo de dever algum boleto no fim do mês”.

Protesto

Contra o aumento da tarifa, usuários do transporte e metroviários se manifestarão nesta sexta às 17 horas, na Praça Sete, no Centro da capital mineira. O ato é uma tentativa de que a Companhia Brasileira de Trens Urbanos (CTBU) volte atrás e retome o preço anterior, de R$ 1,80, que vigorou por 12 anos consecutivos em Belo Horizonte.

O protesto é organizado pelo Sindicato dos Empregados em Transportes Metroviários e Conexos de Minas Gerais (Sindimetro-MG), que também tenta reverter a medida na Justiça.

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