Duzentos mil veículos voltam a circular pelas ruas e avenidas de Belo Horizonte na próxima segunda-feira. Após as férias escolares, o retorno às aulas traz também o caos diário provocado pelo vaivém dos motoristas. Além dos congestionamentos, principalmente nos horários de pico, infrações nas portas das instituições de ensino, como parar ou estacionar em local proibido, preocupam os agentes de trânsito da cidade. 

Polícia Militar, Guarda Municipal e BHTrans prometem ações para orientar os condutores e evitar o atropelo às leis. Só nos seis primeiros meses deste ano, 863 mil multas foram aplicadas a quem para em fila dupla, revela o tenente Marco Antônio Said, do Batalhão de Trânsito da PM. O oficial reforça a importância da conscientização.

“Essa é a infração mais cometida pelos pais que deixam os filhos na porta das escolas. As pessoas precisam ficar mais atentas para não atrapalhar o trânsito e, claro, evitar acidentes”, afirma. O ato de desrespeito, conforme o Código de Trânsito Brasileiro (CTB) é penalidade grave, gera multa de R$ 127,69 e cinco pontos na carteira de habilitação.

A capital mineira tem cerca de 1,7 milhão de automóveis. Em períodos de férias, de acordo com o Batalhão de Trânsito, 10% deixam de circular na cidade

Em Belo Horizonte, 45 escolas de variados bairros recebem na segunda-feira a operação chamada de “Na volta às aulas, dê uma lição de cidadania”. Quase 170 mil estudantes retomam as atividades em 319 instituições municipais da rede própria, além de 194 creches conveniadas, com 23 mil alunos.

Para o engenheiro e especialista em trânsito Silvestre de Andrade Puty Filho, as ações de orientação na porta das escolas são necessárias, mas é pouco para se enfrentar um problema tão corriqueiro nessa época do ano. “Faz sentido realizar essas ações? Sim, pois o desrespeito existe. Deve-se fazer a mesma operação sempre? Não. É preciso pensar em alternativas que evitem os atos de incivilidade”, diz.

A solução, segundo ele, passa pela prevenção e punição aos infratores. “Todos conhecem a legislação. Sabem que isso é errado, mas cometem o erro. Infelizmente, muitos precisam sentir no bolso para aprender. Do contrário, somente se houver viaturas e policiamento em todos os locais vulneráveis, evitando a parada proibida. Porém, sabemos que isso é inviável”, comenta.

O engenheiro ainda faz questão de destacar outro ponto. “A situação é muito séria e não pode ser ignorada porque acontece na porta de um local que deveria servir para formar cidadãos. Ou seja, a escola educa, mas os pais mostram o contrário. Isso atrapalha o trânsito e escancara a falta de cidadania de muitas pessoas”.