Oficialmente, o inverno só começa no próximo domingo, mas o alerta na prestação dos serviços particulares de saúde de Belo Horizonte já foi lançado. Com as baixas temperaturas registradas nos últimos dias, hospitais têm ficado lotados, escancarando falhas no atendimento de urgência e emergência. Apesar de a demanda de pacientes com doenças respiratórias aumentar sazonalmente quatro vezes nesta época, as unidades de saúde não dão conta de absorvê-la.

Em alguns casos, a espera pode chegar a quatro horas. Nesta segunda-feira (15), a reportagem do Hoje em Dia percorreu alguns hospitais e constatou a superlotação. Logo na entrada do pronto-atendimento do Vera Cruz, no Barro Preto, na região Centro-Sul, foi possível perceber a elevada procura.

Lá, quatro horas era o tempo médio para a consulta com o clínico-geral. No período da tarde, 60 pacientes aguardavam. “Não tenho mais posição para ficar sentado. Meu corpo está doendo muito”, disse o funcionário público Ramon Silva, de 25 anos, que se queixava de febre e dificuldade respiratória.

A febre constante também levou a psicóloga Luciana Brandão a procurar a rede hospitalar. No fim de semana, ela chegou a buscar pelo serviço de urgência e emergência, mas acabou desistindo. “Fiquei seis horas esperando um clínico. Fiquei tão cansada com a demora que acabei voltado para casa”, conta.

Infantil

No Hospital São Camilo, referência em assistência à criança, o tempo médio de espera era de três horas. “Vou ficar porque esse é o segundo hospital que venho”, disse o soldador Genival Santos, de 39 anos, acompanhado do sobrinho de 3 anos.

No pronto-atendimento do hospital da Unimed no Santa Efigênia, a situação era a mesma. Com tempo médio de espera de uma hora e meia, pacientes aguardavam em pé o chamado do médico.

“É só o frio começar que a demanda aumenta. O problema é que nem hospitais nem planos de saúde se programam”, afirmou a professora Briza de Souza Cruz, de 33 anos.

Sobrecarga de doentes de cidades vizinhas atrapalha

A Central dos Hospitais de Minas Gerais (CHMG) reconhece o problema. O presidente da entidade, Castinaldo Bastos Santos, reafirma que a questão sazonal contribui. Segundo ele, as unidades de saúde estão cientes e têm se planejado, mas uma série de fatores externos contribui para as falhas.

Sobrecarga dos pacientes que vêm da região metropolitana, falta de profissionais, principalmente pediatras, má remuneração dos planos de saúde e inexistência de incentivos governamentais estão entre as principais dificuldades, diz. “As operadoras não conseguem absorver a demanda de consultas eletivas e muitos se veem obrigados a procurar o pronto-atendimento”.

Castinaldo também destaca que a carga tributária obriga muitos hospitais a trabalhar no limite. “Hoje, quase 30% do faturamento é gasto com impostos”, reforça o presidente da CHMG. A dificuldade, acrescenta ele, impede grandes investimentos.

Respostas

O Hospital São Camilo confirma a morosidade. Entre os motivos estão as doenças respiratórias e a deficiência de pediatras. Para tentar amenizar a situação, enfermeiras têm feito o acolhimento de crianças. “O foco é agilizar essa assistência e diminuir o tempo de espera. Estamos tentando aumentar a equipe”, disse o diretor José Guerra Lages.

Em nota, a Unimed-BH confirmou o aumento e também atribuiu a elevada demanda a problemas respiratórios. A empresa informou que trabalha para diminuir o tempo de espera. O Hospital Vera Cruz foi procurado, mas ninguém se manifestou.

Simples e barato

À frente da presidência da Associação Brasileira de Alergia e Imunologia, Roberto Souza Lima reforça que crianças e idosos são os mais vulneráveis. Segundo ele, uma atitude simples e barata, que pode ser feita por qualquer pessoa, é umidificar as narinas com soro fisiológico.

“Está pior que o serviço público. Pagamos caro por nada” Gustavo de Barros - Contador que aguardava na Unimed Barro Preto