Assaltos a mão armada, sequestros e até assassinatos estão cada vez mais na rota diária dos motoristas de aplicativo na Região Metropolitana de Belo Horizonte. A falta de segurança, acentuada nos últimos meses, revolta os condutores, que já fizeram várias carreatas pela capital, por melhores condições de trabalho.

Por causa da gravidade das ocorrências, representantes da categoria recorreram até ao governo de Minas em busca de soluções. Em resposta à demanda, a Polícia Militar informa que reforçou a atuação preventiva e reativa, com ampliação do monitoramento, plano de contingência, estruturação da rede de motoristas protegidos e aumento do número de militares nas viaturas em locais estratégicos.

"Tivemos percepção desses casos, que chamaram a atenção das forças de segurança. Isso virou insumo para o nosso planejamento e resultou em operações de fiscalização de trânsito”, disse o capitão da PM Cristiano Araújo.

“Está sendo desenvolvido adesivo para identificar o motorista. Mas nem todos vão passar pelas blitze. Daí a necessidade da Central”
Warley Leite - Clube dos Motoristas por Aplicativos

Durante reunião na última segunda-feira (8), o Estado apresentou às empresas uma lista com possíveis mudanças, como a melhora do sistema de identificação dos passageiros e o mapeamento das “zonas quentes”, áreas consideradas mais perigosas para as corridas. Também foram sugeridas alterações nos procedimentos das viagens pagas em dinheiro.

Central 24 horas

Warley Leite, do Clube dos Motoristas por Aplicativos, diz que a principal reivindicação da categoria ao governo do Estado e às empresas é a criação de uma central de monitoramento 24 horas.

A ideia é que o condutor possa acionar o núcleo de atendimento com uma ação rápida, repassando a localização do carro à polícia ainda com o crime em andamento. O grupo estuda, também, uma forma de cortar o combustível do veículo para que ele não seja levado pelos assaltantes.

“Há dez anos vivenciamos algo similar com os táxis, que estavam sendo vítimas de muitos assaltos. Medidas concretas foram adotadas, como operações policiais específicas para diminuir esse fenômeno, e funcionou bem”, recorda o coordenador do Centro de Estudos em Segurança Pública da PUC Minas, Luís Flávio Sapori.

Para o especialista, o caso dos aplicativos é diferente, pois não é fácil identificar os carros. Ele acredita ser necessário criar um mecanismo que distinga os veículos, para atuações preventivas.

Crimes costumam ser cometidos com violência e crueldade, a partir de viagens tramadas

Um dos crimes que mais chamaram a atenção recentemente foi o assassinato do motorista Anderson Coelho Alves, de 27 anos. Abordado enquanto trabalhava, foi torturado e morto. A PM prendeu dois suspeitos – que teriam confessado o crime. Mesmo sem reagir, a vítima teve mãos e pés amarrados, antes de ser esfaqueada.

Para Sapori, ficou atrativo para os bandidos praticarem esse tipo de ação violenta, já que o número de motoristas de aplicativo circulando atualmente é muito grande. “O que se tem a fazer é desestimular o assalto, à medida em que se perceba que a polícia e as próprias empresas definiram mecanismos de repressão e reação rápida”.

Outro caso que ganhou notoriedade ocorreu na última semana. Um motorista teve o carro e o dinheiro roubado por três homens, após iniciar uma corrida em Ribeirão das Neves. Ele foi largado pelo trio em uma mata, amarrado a uma árvore. Dois infratores – um deles menor –, foram detidos.
A PM informou que no fim deste mês divulgará balanço da operação de combate a esses delitos. Já a Polícia Civil divulgou não ter dados específicos de crimes contra a categoria.

Em nota, a Uber afirma que a segurança de quem usa o aplicativo é prioridade e está aberta ao diálogo. A empresa diz ter criado recursos de checagem de documentos, medida que está sendo testada em cidades brasileiras como Juiz de Fora, na Zona da Mata.

Já a Cabify informou que tem a função de compartilhamento de trajeto, o botão “SOS” e um canal telefônico disponível 24 horas. 
A 99app foi procurada, mas não respondeu até o fechamento da edição.

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