A cidade de Francisco Dumont, no Norte de Minas, inaugurou nesta quinta-feira (10) uma Usina de Triagem e Compostagem, estrutura que, além de dar a correta destinação aos resíduos sólidos do município, vai gerar emprego e renda. A solenidade contou com a presença do ministro do Meio Ambiente, Ricardo Salles, e do vice-governador de Minas, Paulo Brant.

A construção da usina exigiu investimentos da ordem de R$ 180 mil da prefeitura e integra os projetos do Consórcio de Desenvolvimento Ambiental do Norte de Minas (Codanorte) que, desde 2019, realiza o planejamento de destinação de resíduos na região. 

Desde a implantação da iniciativa, foram fechados lixões de 15 municípios do Norte de Minas. Segundo o consórcio, isso significa a suspensão do descarte irregular de cerca de 850 toneladas de lixo. A usina de Francisco Dumont deve receber cerca de 21 toneladas de resíduos, de forma correta, por mês.

O evento desta quinta, conta o prefeito, Eduardo Rabelo, celebrou o lançamento do Programa Nacional de Recuperação de Áreas Contaminadas e o Programa Lixão Zero, que celebrou o fechamento do espaço inadequado que existia no município há mais de 20 anos.

"A Usina de Triagem e Compostagem de Francisco Dumont, além de dar a destinação correta ao lixo, irá gerar emprego e renda no nosso município. Com a vinda do ministro, o Norte de Minas saiu ganhando. São dezenas de municípios que irão se beneficiar com os programas Lixão Zero e Recuperação de Áreas Degradadas, e também o combate à desertificação, o que traz alento e esperança para a região", disse o gestor.

A expectativa para o primeiro semestre de 2021 é acabar com mais 22 lixões a céu aberto, destaca o Consórcio de Desenvolvimento Ambiental do Norte de Minas. Em Francisco Dumont, a Usina de Triagem e Compostagem foi construída em uma área de 500 metros quadrados às margens de uma estrada rural, onde funcionava o lixão da cidade.

O fechamento dos 15 lixões no Norte de Minas vai impedir que cerca de 300 mil toneladas de resíduos sejam lançados a céu aberto anualmente. O projeto integra 60 cidades da região, o que corresponde a aproximadamente 1,2 milhão de pessoas beneficiadas.

Apoio aos municípios
O ministro Ricardo Salles ressaltou a importância de ajudar as pequenas cidades nesses projetos. “Tem que apoiar por exemplo a cooperativa de catadores, centros de recolhimentos, às vezes de transbordo. Então, a coleta e destinação passam por transbordo, incentivar a formação de consórcios. Os consórcios têm um papel muito importante, porque ao agregar vários municípios, há grande escala e pode ter mais tecnologia, ter um aterro melhor, ter até o aproveitamento energético. Então, há muitas coisas para serem feitas, o nosso apoio aos municípios pequenos tem sido grande”, afirmou.

Mata Seca
Durante visita do ministro Ricardo Salles ao Norte de Minas, os presidentes da Sociedade Rural de Montes Claros, José Luiz Veloso Maia, e do Sindicato dos Produtores Rurais, José Avelino Pereira Neto, cobraram a revisão da legislação que enquadrou a Mata Seca do Norte de Minas como integrante do Bioma Mata Atlântica.

"Esse decreto paralisou a nossa região. Estamos há mais de uma década tentando reverter a situação que causa mais prejuízos socioeconômicos a cada dia. Temos o apoio da Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil (CNA) nessa causa e reforçamos com o ministro a necessidade de resolver este sério problema", afirma José Avelino. 

Para José Luiz Maia, essa legislação "brecou" o desenvolvimento do Norte de Minas. “Levamos ao ministro, que foi receptivo e nos indicou a forma de como resolver, depois de dez anos. Ainda temos uma longa caminhada. Vamos agora mobilizar os ministérios da Agricultura e da Economia, que gerencia o IBGE. Para somente depois voltar à mesa de discussão junto ao Meio Ambiente”, informou o presidente da Rural.
 

Paulo Brant, Ricardo Salles

Vice-governador de Minas, Paulo Brant, e o ministro do Meio Ambiente, Ricardo Salles