Há 10 anos sem presenciar um assassinado, os moradores da pacata Jaguaraçu, na região do Rio Doce, que tem cerca de 3 mil habitantes, ficaram chocados nessa segunda-feira (26) após o dono de uma mercearia, de 53 anos, ser morto com 17 facadas dentro de sua casa. Apesar da denúncia inicial ser de que se tratava de um assalto, a mulher da vítima, de 38, e a filha dele, de 16 anos, acabaram detidas sob suspeita de envolvimento no homicídio. 

Conforme a Polícia Militar (PM) da cidade, eles foram acionados na casa do comerciante, localizada na rua principal da cidade, por volta de 1h. A princípio, mãe e filha disseram que dois indivíduos teriam invadido o imóvel escalando, uma vez que eles moram no segundo andar. Após renderem as duas, os suspeitos teriam ido até o quarto do homem e o levado até a mercearia, que fica no térreo, onde roubaram uma quantia em dinheiro do caixa. 

Depois disso, segundo as mulheres, os supostos assaltantes teriam exigido que a vítima abrisse um cofre, o que foi negado por ele. O comerciante teria então entrado em luta com o suspeito, que acabou desferindo 17 facadas contra ele. O corpo foi encontrado pela polícia ainda com uma faca cravada no pescoço. 

Porém, ainda de acordo com a PM, durante o registro da ocorrência, mãe e filha entraram em contradição várias vezes. Para se ter ideia, as câmeras de segurança do bairro mostraram que os suspeitos entraram pelo portão, e não escalando a casa como foi dito por elas. Por fim, a esposa relatou que mantinha um relacionamento extraconjugal, dizendo que o marido descobriu e estava prestes a contar da traição para sua família. 

Câmeras da casa foram desligadas 1h30 antes

A mulher do comerciante e a adolescente acabaram levadas para a delegacia. Durante o registro da ocorrência, outas informações recebidas pela polícia aumentaram as suspeitas contra as familiares da vítima. Os agentes descobriram que as câmeras de segurança da mercearia foram desligadas 1h30 antes do assassinato e vizinhos ligaram alertando que viram, na última sexta-feira (23), a filha da vítima acompanhada de três homens, sendo que dois deles eram muito parecidos com os supostos assaltantes. 

"Durante a ocorrência, mãe e filha não demonstraram nenhum sinal de tristeza. Pelo contrário, chegaram a demonstrar até mesmo um certo deboche enquanto conversavam com os policiais", pontuou um policial, que preferiu não ser identificado. 

Ainda segundo a PM, mesmo sem ter elementos concretos do envolvimento de mãe e filha o delegado ratificou a prisão em flagrante da mulher do comerciante, que já foi encaminhada para o Centro de Remanejamento de Presos (Ceresp) de Ipatinga, no Vale do Aço. Já a adolescente seguia apreendida nesta terça-feira (27) enquanto aguardava uma decisão da Justiça sobre sua possível internação. 

Cidade não via homicídio há 10 anos 

Ainda conforme um policial da cidade, que preferiu não se identificar, o último homicídio ocorrido na pequena cidade foi registrado em 2009. "Tem um bairro que fica mais distante do centro, na zona rural e que é mais complicado, que teve um assassinado há dois anos. Mas aqui mesmo, na sede de Jaguaraçu, já eram 10 anos sem homicídio", explicou. 

Com isso, a população ficou muito assustada e não fala de outra coisa. "As pessoas nem acreditam, pois o comerciante era muito bem quisto por todos e, também, pela forma como foi. Todo mundo conhecia a família e, até por isso, ninguém se surpreendeu muito por ter o envolvimento delas. Mas aqui é uma cidade realmente muito tranquila", completou. 

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