Belo Horizonte está nostálgica. Um mês após o fim da Copa do Mundo, bares e praças, antes abarrotados em função do Mundial, voltaram ao movimento normal. Agora, o que resta é a saudade e o desejo de, um dia, ter a cidade tomada de novo por milhares de turistas do mundo todo.
 
E não é preciso andar muito nem tanto tempo para comprovar que eles têm feito falta. QG de dez entre dez visitantes da capital no período da Copa, a Savassi não é mais a mesma. No quarteirão da rua Antônio de Albuquerque, por exemplo, entre Paraíba e Getúlio Vargas, que no período dos jogos chegou a receber cerca de 3 mil pessoas por dia, a paz é que reina. “Nem me fale. Estou morrendo de saudade dos estrangeiros.
Se for fazer uma campanha “volta Copa”, pode me chamar”, brinca Patrícia Souto, proprietária do restaurante Rococó.
 
Outra que já sentiu, até no bolso, o adeus aos turistas da capital é Flávia Adriane Machado, gerente do Orizontino Bar e Cultura, no mesmo quarteirão fechado. Nessa terça-feira (12), com 40 mesas vazias dispostas na calçada, durante boa parte da tarde, restou a ela lamentar o baixo movimento. “De maneira geral, o consumo nos dias de jogos aumentou mais de 100%. Para me organizar melhor, tive até que cercar as mesas para não dar confusão. Agora, nem preciso me preocupar com isso”, diz. 
 
 
 
Acesso livre
 
Do outro lado da cidade, no Centro, a mudança é igualmente perceptível em um dos mais procurados cartões-postais de BH: o Mercado Central. Antes lotados, os longos corredores de bares, restaurantes e lojas de lembrancinhas têm, passados 31 dias, lugar de sobra para um passeio tranquilo. “Era dia e noite e isso aqui lotado. Os turistas, principalmente os alemães e colombianos, chegavam cedo e só iam embora quando bem tarde. Sinto falta é da festa deles”, comenta a chefe de cozinha do Butiquim do Antônio, Valdelícia de Jesus. 
 
Das centenas de estrangeiros que experimentaram os petiscos preparados ali mesmo, atrás do balcão, Giovani José da Silva, funcionário do Bar da Tia, guarda uma lembrança: um boné do Chile que ganhou de um turista. “Nem preciso dizer que as coisas mudaram. É só olhar e ver que o movimento já não é o mesmo. Na Copa, sempre tinha alguém pedindo uma cerveja ou chope gelado”, afirmou.
 
 
Internacional
 
Segundo o Ministério do Turismo, Belo Horizonte recebeu, entre 12 de junho e 13 de julho, 355 mil turistas, sendo 200 mil deles estrangeiros. 
 
Presidente da Câmara de Dirigentes Lojistas de Belo Horizonte (CDL BH), Anderson Rocha, acredita que o maior legado deixado pelo Mundial foi a internacionalização da cidade. “Não tínhamos expectativa elevada em relação ao consumo na cidade, portanto, não temos como calcular ganhos ou perdas”.
 
 
Aposta na fidelização do turista
 
Para tentar fisgar de vez o turista e firmar a capital mineira como destino certo, a Belotur quer pôr em prática o programa BH Receptiva. O objetivo, conforme o presidente da instituição, Mauro Werkema, é qualificar a cidade e prepará-la melhor para receber os visitantes. 
 
“Temos uma boa rede hoteleira, boa gastronomia, oferta de cultura e lazer, além de táxis e placas de orientação ao turista. O que vamos fazer é discutir com várias instituições o potencial turístico da cidade e sua vocação para os negócios e evento”, detalhou.
 
 
Pampulha
 
A Fundação Municipal de Cultura (FMC) também tem planos para alavancar BH no cenário turístico. Para o ano que vem, estão previstos festivais internacionais de literatura e de arte. O forte, porém, é apostar as fichas no título de Patrimônio Mundial da Humanidade à Pampulha.
 
“No fim do ano, entregaremos à Unesco o dossiê para a candidatura. Acreditamos que, caso seja eleita, a Pampulha ajudará a consolidar a cidade como destino turístico”, afirma o presidente da FMC, Leônidas Oliviera.