Delegados das Centrais de Flagrantes (Ceflan) de Belo Horizonte ainda temem novos problemas devido à hiperlotação do sistema penitenciário em Minas Gerais. A constatação foi feita na manhã desta quinta-feira (28) durante visita de deputados da Comissão de Segurança Pública da Assembleia Legislativa às duas unidades.

Há cerca de três semanas as Ceflans estavam cheias e os policiais impossibilitados de encerrar ocorrências porque não havia vaga nas penitenciárias nem Centros de Remanejamento Prisionais (Ceresp) para que os suspeitos fossem encaminhados. Esses presos foram conduzidos a medida que essas vagas foram surgindo, mas a situação ainda não está estável.

“Nossa estrutura física e de trabalho é adequada. Mas hoje a equipe de plantão está tendo que cuidar do preso, buscar alimentação, remédio. O gargalo do problema é a situação do sistema penitenciário”, enfatizou a coordenadora da Ceflan 1, delegada Gislaine de Oliveira Rios.

Nesta quarta-feira (27) foram abertas 40 vagas no sistema, desafogando ocorrências que estavam nas Ceflans há cerca de 20 horas esperando finalização.

Na unidade não haviam presos sob custódia. Já na Ceflan 2, sete suspeitos aguardavam desde ontem para serem encaminhados para sistema judiciário – em um ambiente que exalava forte odor fétido.

PRESOS

Suspeitos ainda aguardavam vagas na manhã desta quinta-feira. Foto: Carlos Henrique/ Hoje em Dia

Soluções

De acordo com a chefe do 1º Departamento de Polícia Civil, Rita Januzzi, ajustes estão sendo realizados entre PC e o comando da Polícia Militar para amenizar o problema.

“Ontem, por exemplo, remanejamos policiais de outras unidades para um mutirão após o surgimento das 40 vagas no sistema prisional. Agilizamos o encerramento das ocorrências em andamento para que os suspeitos fossem encaminhados”, exemplificou.

Já a 1ª Região de Polícia Militar (responsável pela capital) publicou um memorando determinando que uma guarnição fique de plantão em cada uma das Ceflans recebendo as ocorrências das equipes da rua e também para garantir a segurança dos suspeitos – já que, como exposto no documento, “não raras as vezes” as celas não comportam todos os encaminhados. As equipes devem fazer plantão nas delegacias e precisam ser compostas por um sargento e um soldado ou cabo.