A relação entre perfeccionismo e ansiedade é mais estreita do que se imagina. Para muitas pessoas, perfeccionismo pode parecer elogio, sinal de excelência, mas, na verdade, esse traço da personalidade esconde prisões, tramas emocionais que podem colocar a saúde física e mental em risco. São gatilhos para a ansiedade e a depressão. Afinal, o perfeccionista se cobra demais, tem dificuldades para lidar com críticas e estabelece altos padrões de realização que, por vezes, o leva a “correr atrás do próprio rabo”.

 “O perfeccionismo é uma característica que certas pessoas têm, geralmente as muito talentosas, muito capazes, de se cobrarem alto padrão de realização. Se exigem tanto que chegam a perder o prazer de executar a tarefa, pois o compromisso dela é com a perfeição”, diz psicanalista e escritora Simone Demolinari, colunista do HOJE EM DIA. “Ele quer tudo tão perfeito, e usando um medidor externo para essa tal perfeição, que adia ao máximo as tarefas, deixa tudo para última hora. Torna-se um procrastinador e sofre também por isso. E aí vem angústia e ansiedade”, alerta a especialista.

No bate-papo com a editora-chefe Iracema Barreto, Simone Demolinari destaca ainda que o perfeccionista vive o conflito de lidar com a sensação de superioridade por saber da própria capacidade - “E isso é real porque geralmente ele é muito bom talentoso e habilidoso” - e o sentimento de inferioridade, provocado pelo medo do julgamento alheio. “Forma um cabo-de-guerra. Ao mesmo tempo que se percebe superior, dúvida de si mesmo, acha que o outro pode fazer melhor e por vezes se considera uma fraude”.