Participar de competições nacionais e até internacionais, cujos temas vão de robótica a arquitetura, pode abrir portas no mercado de trabalho, além de render um bom dinheiro e turbinar o currículo. Os concursos, que acontecem o ano todo, geralmente são voltados para estudantes de graduação e pós de áreas como engenharia, administração e comunicação, entre outros. 

Para especialistas, essas são boas oportunidades para quem quer incrementar a formação acadêmica e desenvolver habilidades de relacionamento. Além disso, é uma possibilidade para aplicar na prática o conteúdo aprendido na universidade. 

Segundo o professor Armando Sérgio de Aguiar Filho, das Faculdades Promove, esse tipo de atividade é uma tendência de ensino que valoriza metodologias mais ativas, nas quais os alunos são estimulados além da sala de aula.

“São estudantes já acostumados a competir e que querem ver a aplicabilidade de tudo. Esse tipo de competição também é interessante porque o mercado exige cada vez mais competências comportamentais. E nelas o aluno trabalha liderança, trabalho coletivo, resolução de conflitos e aprende até a ouvir não”, diz o docente, que também é doutor em gestão do conhecimento. 

Prêmios

Paralelamente à disputa, as empresas também costumam oferecer recompensas, que podem servir como motivação, mas não devem ser o único objetivo, explica Armando. Por isso, mesmo que não conquiste aquele valor em dinheiro ou a vaga em um curso, o graduando deve entender que todo o processo é importante e agrega ao currículo.

A engenheira de produção Luiza Camarano, de 24 anos, já ganhou até um troféu. Para ela, participar das competições regionais e nacionais do Baja, projeto extracurricular da UFMG voltado para criação de veículos fora de estrada, foi uma vivência enriquecedora. “Era igual um estágio mesmo, porque precisava cumprir horas semanais. Então já tive uma experiência de empresa. Além disso, foi um ambiente importante de troca com alunos de outras engenharias”, conta.

Para custear a montagem do off-road e a ida aos eventos, Luiza também teve que se virar. Como só uma parte dos gastos era financiada pela UFMG, o restante foi preciso arrecadar por meio de patrocínio, o que deu a ela a chance de apresentar o projeto a outras empresas e conhecer fornecedores de materiais. 

A engenheira destaca ainda a possibilidade de construir um bom networking e abrir portas. “Os colegas de hoje serão futuros engenheiros na indústria, que vão ocupar posições importantes no mercado. Há casos de pessoas que foram contratadas por ex-colegas do Baja dentro e fora do Brasil”, afirma. 

Premiações vão de viagem e vaga de emprego 

Um dos concursos com inscrições abertas é a competição internacional promovida pela multinacional 3M. Com etapa inicial em São Paulo e final na Costa Rica, a empresa promove o Invent a New Future 2019, que desafia mentes curiosas a buscar soluções para problemas do futuro em um ambiente colaborativo. O cadastro deve ser feito pelo 3m.com/inf2019 até 31 de março. São aceitas diversas áreas de formação, mas os alunos precisam ter mais de 18 anos, estar cursando o último período da graduação ou primeiro da pós e ter inglês avançado. 

Cada um dos estudantes do grupo vencedor da última etapa ganha seis meses de programa de orientação de carreira, que consiste em no mínimo três teleconfe-rências de 45 minutos com o mentor para conversar sobre dicas da profissão, comportamentos pessoais e profissionais no ambiente de trabalho e fora dele, mercado e oportunidades.

Cidades inteligentes

Já a “Go Green in the City”, promovida pela Schneider Electric, especializada em energia e sustentabilidade, realiza uma competição para resolução de problemas a fim de alcançar um futuro com cidades mais inteligentes e sustentáveis. 

Além de oferecer viagem com tudo pago para lugares onde a empresa tem escritórios, quem vencer receberá uma oferta de emprego na multinacional. Interessados podem se inscrever até 25 de maio pelo gogreeninthecity.se.com. No site, também estão as informações sobre quem pode se candidatar e como acontece o processo.

Outras oportunidades, como a URBAN21, promovida pela revista PROJETO, que normalmente acontece no segundo semestre do ano, devem surgir em breve. Alunos de arquitetura e urbanismo podem ficar de olho no www.arcoweb.com.br.  Em 2018, o primeiro lugar foi premiado com um valor de R$ 10 mil, além de troféu e diploma. Já o segundo embolsou R$ 6 mil. Outros três projetos foram contemplados com menção honrosa e participação em workshop.