O destino dos baixios dos viadutos de Belo Horizonte permanece incerto depois da segunda tentativa de seleção de propostas para aproveitamento dessas áreas. Em 2013, quatro projetos foram selecionados em um concurso de arquitetura da Prefeitura de Belo Horizonte, mas apenas um saiu do papel (viaduto Santa Tereza, região Leste).

Em setembro, a Secretaria Municipal de Desenvolvimento (SMDE) abriu consulta pública para receber novas sugestões, mas, até o prazo final - 9 de dezembro - não conseguiu atrair muitos participantes e optou pelo adiamento. O novo limite é 9 de março.

"Não cabe divulgarmos um balanço parcial. A ideia em si foi muito bem recebida, em todos os ambientes que divulgamos, mas, salvo uma ou duas manifestações concretas, ainda não tivemos propostas objetivas", explica o secretário de Desenvolvimento da capital, Eduardo Bernis.

A estratégia, a partir de agora, será a retomada da divulgação do processo seletivo, mas com enfoque maior nas pessoas e entidades que já manifestaram interesse em participar. "Acho que houve um pouco de 'mineirice' do belo-horizontino, uma timidez para se apresentar", diz o secretário.

Outra versão

Para a professora do curso de Arquitetura e Urbanismo do UniBH Maria Manuela Netto, no entanto, a não-execução dos primeiros projetos, há cerca de dois anos, pode ter desanimado as pessoas a participarem de um novo processo seletivo.

"O concurso teve repercussão nacional e conseguiu agregar ótimas ideias, vindas de escritórios de todo o Brasil. Várias delas foram premiadas e voltaram os olhares dos arquitetos para a apropriação desses espaços urbanos. Porém, quando as coisas não são finalizadas, acho que um certo desânimo se abate", afirma Maria Manuela.

Uma das estruturas selecionadas na época foi o viaduto Pedro Aguinaldo Fulgêncio, mais conhecido como "Viaduto do Extra", no bairro Floresta (Leste). Pela proposta vencedora, o baixio seria transformado em anfiteatro para pequenos espetáculos, lojas e estacionamento de bicicletas.

Adequações

Sem nada feito, o local já precisou receber reforços nos pilares, em julho último, por causa da degradação provocada pela combinação de fogueira e urina. Hoje, o espaço é ocupado por veículos do Departamento Estadual de Investigação de Fraudes, da Polícia Civil.

Segundo a corporação, por se tratar de um espaço público e estar próximo ao prédio da PC, as viaturas têm ficado debaixo do viaduto "até para facilitar a saída rápida, se for preciso".