Moradores e representantes de vários segmentos sociais de Congonhas, na região Central do Estado, oficializaram ontem, junto à Companhia Siderúrgica Nacional (CSN), pedido do fim da Barragem Casa de Pedra, instalada na cidade. Também querem que a empresa elimine o rejeito de minério que há no local.

A entrega do documento foi feita um dia após protesto realizado por moradores no município, gente que convive com o temor de uma nova tragédia.

A comerciante Valéria Tavares, de 42 anos, conta que desde 1991 sente-se insegurança. “O medo é pior à noite. É um monstro perto da gente”, disse. 

A mãe dela, de 67 anos, precisou ser socorrida na Unidade de Pronto-Atendimento (UPA) terça-feira, após uma crise de pânico. “Ela quer ir embora daqui”. 

Situações como essa são recorrentes, afirma Rodrigo Ferreira da Silva, da Associação de Moradores do Residencial Gualter Monteiro –bairro mais próximo à barragem. Ele foi um dos que levaram o documento à sede da CSN. “Convidamos a empresa para participar de uma reunião, às 16h. Mas não veio (ninguém) e fomos entregar em mãos”, explicou.

A reivindicação é por mais segurança. “Mesmo assim o medo é constante. Afinal, a do Córrego do Feijão também já estava em processo de descomissionamento. Imagina quanto tempo isso pode levar?”.

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A Casa de Pedra, de acordo com a Secretaria de Estado de Meio Ambiente e Desenvolvimento Sustentável (Semad), tem 76 metros de altura e capacidade para 50 milhões de metros cúbicos de rejeito. Está na “classe 6”, a mais alta em categoria de risco e de dano potencial associados. 

Procurada, a Prefeitura de Congonhas informou ser contrária a um novo alteamento da estrutura, processo solicitado pela CSN em 15 de dezembro de 2011. A Secretaria Municipal de Meio Ambiente ainda estuda a sugestão para criar um projeto de lei que proíba o método de construção na área urbana do município e exija que, juntamente com a declaração de estabilidade, as empresas encaminhem um termo de anuência do diretor e do presidente, sob pena de responsabilização nas esferas civis e criminais em caso de rompimento. 

A CSN foi procurada para comentar os pleitos da comunidade, mas não respondeu.