Clientes de uma loja especializada em consórcios com matriz em Sete Lagoas, na região Central de Minas, foram surpreendidos, nessa terça-feira (3), ao encontrarem as portas do estabelecimento fechadas e sem notícias do proprietário. Com contratos ainda em andamento e milhares de outros finalizados e não cumpridos, estima-se que o prejuízo deixado seja de R$ 10 milhões a mais de 5 mil clientes. O Ministério Público de Minas Gerais (MPMG) informou que há um procedimento instaurado para investigar o caso.

Segundo o deputado estadual Douglas Melo (MDB), que é de Sete Lagoas e organizou uma reunião nessa quinta-feira (5) na cidade para entender o ocorrido, o número de vítimas impressiona. "Marcamos a reunião e esperávamos 100 pessoas, mas foram mais ou menos 800, a maioria com os contratos em mãos, com os carnês mostrando que pagavam em dia", revelou. A advogada Erika Oliveira, uma das vítimas, também se impressionou ao ver a lotação do espaço. "Foi preciso fechar as portas, não cabia mais gente, pessoas humildes, tanto daqui [Sete Lagoas] quanto de outras cidades", disse.

Os problemas com a loja começaram a aparecer há cerca de um mês, quando o deputado foi procurado por cidadãos setelagoanos porque os cheques pagos pela empresa como forma de premiação pelo consórcio estavam sendo devolvidos por falta de fundos. A história se espalhou pela cidade e Erika Oliveira, que tinha um contrato desde 2017 e já havia pago R$ 8 mil dos R$ 12 mil contratados, resolveu procurar a loja. "Eu comecei a ir lá para tentar resolver e eles sempre falavam que a gerente estava viajando. Fui na segunda-feira (2) e eles disseram pra voltar na terça, aí voltei e estava fechado", contou.

Em seu site, ainda no ar, a empresa oferece consórcios, principalmente de motocicletas, e informa ter "mais de 7 lojas em Minas e mais de 50 representantes". Além dos clientes, funcionários da loja também foram surpreendidos pelo fechamento e ficaram sem receber seus direitos.

Erika paga suas parcelas pelo cartão e declarou não estar conseguindo cancelar a cobrança. Segundo Melo, essa é a realidade de muitas das vítimas com contratos ainda em andamento. As operadoras de cartão justificam que não podem suspender o pagamento porque não há nada que prove o que está ocorrendo. A estratégia de usar a cobrança por cartão de crédito foi intensificada pouco antes de a empresa fechar as portas, como contou o deputado. "Eles fecharam mais contratos do que o normal nos últimos meses, fizeram um esforço para isso, e chamaram clientes com contrato em andamento para que usassem o cartão de crédito para adicionar dinheiro ao consórcio, realizando uma compra parcelada, então, isso nos leva a crer que eles já sabiam que estavam à beira da falência e usaram o tempo restante para fechar contratos que não conseguiriam cumprir", declarou.

Na reunião de quinta-feira, ficou decidida a formulação de uma Ação Civil Pública (ACP) como possível solução para o problema. Estiveram presentes representantes do Ministério Público de Minas Gerais, da Defensoria Pública do Estado, da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB-MG) e do Procon da Assembleia Legislativa de Minas Gerais (ALMG), além das polícias Militar e Civil. Foi definida uma comissão que, depois, será transformada em associação que buscará garantir os direitos das vítimas. "A Polícia Civil já está investigando e esperamos encontrar o proprietário e descobrir se ele tem outras empresas ou bens para serem bloqueados e garantir o ressarcimento do prejuízo das vítimas", declarou Melo, que ainda reiterou que todas as ações desse caso serão gratuitas para as vítimas, graças à participação da Defensoria Pública.

A reportagem tentou contato com os números informados para a loja, mas não teve sucesso.