O Conselho Disciplinar do Presídio de Varginha, no Sul de Minas, decidiu nesta segunda-feira (5) que o goleiro Bruno Fernandes não cometeu irregularidades ao trabalhar na Associação de Proteção e Assistência ao Condenado.

Um Processo Administrativo Disciplinar (PAD) havia sido aberto no dia 19 de outubro depois que foram reveladas imagens de Bruno supostamente em um bar na companhia de mulheres. Após a denúncia, a Justiça suspendeu o direito de trabalho externo e determinou que o ex-goleiro permanecesse no presídio.

De acordo com o advogado de Bruno, Fabio Gama, foram apresentadas testemunhas de defesa, vídeos e provas documentais para mostrar que os vídeos não eram verídicos durante o PAD. A própria Apac de Varginha argumentou na época que o lugar onde Bruno foi filmado não era um bar, mas um espaço de convivência usado pelos presos. Disse ainda que os presos da Apac podem usar o celular dentro desse espaço específico. 

De acordo com a Secretaria de Estado de Administração Prisional (Seap), o resultado dessa avaliação pelo Conselho Disciplinar é uma decisão administrativa, que será encaminhada à Justiça, a quem cabe a decisão no âmbito processual jurídico. A secretaria explica ainda que o Conselho Disciplinar é composto por servidores do presídio, tais como psicólogo, assistente social, um agente de segurança penitenciário e um técnico de saúde.  As reuniões da equipe são presididas pelo diretor-geral da unidade. 

Progressão de pena

Segundo Gama, Bruno agora aguarda a decisão judicial sobre a progressão de pena para o regime semiaberto. Tão logo o assunto seja tratado pela Justiça, Bruno poderá passar a trabalhar e, em seguida, retornar e dormir em casa, já que não há prisão de regime semiaberto em Varginha. A previsão é que ele volte a atuar pelo Boa Esporte, time da cidade.

Frente à decisão do Conselho Disciplinar, o advogado já poderia pedir à Justiça que liberasse Bruno para voltar ao trabalho, mas ele prefere não fazer isso neste momento. “Estamos com medo de que possam tentar fazer algo contra o Bruno novamente. Então, nesse momento, é melhor permanecer no presídio e aguardar pela decisão do semiaberto, que não demora muito”, explica.

Relembre

Bruno foi condenado, em 2013, pelo homicídio triplamente qualificado da ex-namorada Eliza Samudio, ocultação de cadáver e sequestro e cárcere privado do próprio filho. Ele chegou a ficar dois meses em liberdade, por causa de uma liminar, entre fevereiro e abril deste ano. Durante o período, atuou pelo Boa Esporte, de Varginha.

Eliza Samudio desapareceu em 2010 e o corpo dela nunca foi encontrado. Ela tinha 25 anos na época e era mãe do filho recém-nascido do goleiro. Na ocasião, o jogador era titular do Flamengo e não reconhecia a paternidade.

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