A região central de Belo Horizonte amanheceu movimentada neste sábado (27), véspera do fechamento dos pontos de comércio considerados não essenciais, segundo determinação da prefeitura. Muita gente saiu de casa para aproveitar as portas abertas nos mais diversos setores do varejo. Lojas de elétricos, doces e roupas tinham filas nas portas por causa do limite no número de clientes no interior dos estabelecimentos.

Uma senhora que foi a uma doceria, na Savassi, disse que estava fazendo um estoque para ela e a irmã. “Vou comprar de uma vez”, comentou, enquanto selecionava os chocolates. Para a gerente da loja, Cláudia Silveira, a solução serão as vendas por delivery. Mas ela explica que é só um paliativo. “O impacto será enorme. Da primeira vez, tivemos queda de 80%. Já avisamos à matriz e vamos ver como fica”, lamenta a gerente. 

Para Flávio Gomes, gerente de uma rede de lojas de calçados, o novo fechamento será um golpe duro. “Ficamos quase 70 dias sem vender um único item. Agora que estávamos voltando a aquecer, teremos que fechar novamente. Vamos adotar a redução de 70% nesses próximos 30 dias, para manter o quadro. Depois disso, será preciso rever”, explica.

Na rua São Paulo, um vendedor de uma loja de tecidos também lamentava o fechamento. “A partir de segunda estaremos fechados, não quer aproveitar e dar uma olhada?”, sugeria o rapaz.

Mas os lojistas não discordam do endurecimento do isolamento. Eles são categóricos em afirmar que a responsabilidade é do cidadão, que foi negligente. “As pessoas estão brincando, não usam máscara. Sempre aparece alguém sem máscara na porta da loja querendo entrar”, afirma Cláudia Silveira.

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E o que não faltou foi gente sem máscara nas ruas da capital neste sábado. No Centro, flagramos dezenas de pessoas sem o equipamento, muitas delas no meio de aglomerações que se formavam nas portas dos comércios. “A população não levou a sério, agora teremos que fechar”, reclama Flávio Gomes.

Na sexta-feira (26), o prefeito Alexandre Kalil demonstrou sua frustração com a falta de bom senso da população. “Ninguém está mais triste, mais amolado e ninguém avisou tanto a população de Belo Horizonte que não eram férias e que todos nós deveríamos nos manter em casa, só fazer o essencial, o que não aconteceu”, reclamou.

A lotação dos leitos de UTIs, que está acima de 86%, e a alta na taxa de transmissão da Covid-19, que pela primeira vez ultrapassou 1,2, foram os dois indicadores que levaram BH a recuar e voltar à fase zero da flexibilização social. Desde que os serviços não essenciais foram autorizados a abrir, em 25 de maio, essa foi a única semana em que os dois índices atingiram o nível vermelho. Apenas a ocupação dos leitos de enfermaria, hoje em 69%, está no nível amarelo.